Promotora compara ação na Castelinho a massacre do Carandiru

Para a promotora de Justiça Vânia Maria Túglio, do Fórum de Itu, a ação dos policiais na Rodovia José Ermírio de Moraes, a Castelinho, que resultou na morte de 12 bandidos, em março de 2002, foi pior do que o massacre do Carandiru, em São Paulo, quando morreram 111 presos, em 1992. Segundo ela, enquanto no Carandiru o massacre resultou de uma ação inicialmente legítima, o ataque ao ônibus de supostos integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) em Sorocaba foi, desde o início, ilícito e ilegal.A promotora pediu o indiciamento formal de 53 policiais e 2 bandidos envolvidos na operação. Sua denúncia foi aceita na última quinta-feira pela Justiça. Os envolvidos devem começar a serem ouvidos esta semana no Fórum de Itu. Em entrevista, hoje, ao jornal Cruzeiro do Sul, de Sorocaba, a promotora afirma que a Operação Castelinho, desencadeada pelo Grupo de Repressão e Análise dos Delitos da Intolerância (Gradi), foi uma grande farsa. "Isso aqui é muito pior do que o Carandiru porque a ação deles, policiais, começou ilegal e terminou criminosa."Segundo ela, o Gradi queria um espetáculo grandioso para firmar a imagem da polícia frente a comunidade e a criminalidade e a opinião pública foi induzida a erro para acreditar na versão de que a PM interceptou os bandidos, evitando o roubo a um avião pagador no aeroporto de Sorocaba. "Eles, policiais, inventaram o roubo, eles formaram o grupo, armaram e trouxeram esse grupo para uma armadilha." Cópias das fitas do pedágio, onde ocorreu a abordagem do ônibus, não mostram nenhum tiroteio e as armas que a polícia assegurou serem da quadrilha não tinham vestígios de sangue. "Ninguém pode afirmar que aquelas armas estavam com os 12 mortos."

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