Promotora do DF quer reaver R$ 280 mil

Dinheiro foi apreendido na casa de Deborah Guerner, envolvida no ''mensalão do DEM''

Felipe Recondo / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

13 Setembro 2011 | 00h00

A promotora do Distrito Federal, Deborah Guerner, quer de volta os R$ 280 mil - em dólar, euro e real - que guardava enterrados no quintal de sua casa em Brasília e que foram apreendidos pela Polícia Federal durante a Operação Caixa de Pandora.

Ela responde a processo na Justiça Federal e foi denunciada por tentar extorquir R$ 2 milhões do ex-governador José Roberto Arruda. Em troca, o grupo integrado pela promotora não divulgaria o vídeo em que ele aparece recebendo dinheiro do delator do esquema do "mensalão do DEM", Durval Barbosa.

Apesar das denúncias, já aceitas pela Justiça Federal, o advogado de Deborah, Paulo Sérgio Leite Fernandes, afirmou que ela e o marido, Jorge Guerner, tinham condições financeiras para juntar os R$ 280 mil. O dinheiro seria, portanto, de fonte lícita. "Ela ganhava bem no Ministério Público. E o marido era um comerciante bem-sucedido", afirmou o advogado. A apreensão, segundo ele, seria indiscriminada.

Esse dinheiro seria usado por Deborah para pagar o tratamento psiquiátrico a que ela estaria se submetendo, conforme o pedido feito ao Tribunal Regional Federal da 1.ª Região. De acordo com sua defesa, ela se afastou do Ministério Público porque seria bipolar. O problema, de acordo com a defesa, foi atestado por dois médicos.

Renda. Deborah Guerner não recebe salário desde agosto deste ano. A suspensão no pagamento do salário é consequência da decisão do Conselho Nacional do Ministério Público de pedir a sua demissão e a do ex-procurador-geral do DF Leonardo Bandarra. Sem esse dinheiro, afirmou o advogado, ela não poderia seguir o tratamento.

"Ela precisa tirar o dinheiro de algum lugar. Ela não está recebendo salário e o plano de saúde não suporta esse tratamento", afirmou. "Ela está numa situação muito delicada porque está brigando sozinha." O advogado não soube responder qual seria o custo exato do tratamento.

O esquema que ficou conhecido como "mensalão do DEM" foi descoberto em 2009. O ex-secretário de Relações Institucionais do governo do DF Durval Barbosa decidiu colaborar com as investigações em troca de redução de suas penas em outro processo. O esquema envolvia desvio de recursos públicos e acabou por derrubar o então governador do DF, José Roberto Arruda.

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