Promotora pede indisponibilidade de bens do pai de Bernardo

'MP quer evitar que o Leandro possa vir a se desfazer desses bens (a que o menino teria direito, já que era herdeiro) para pagar a própria defesa', disse Dinamárcia Maciel de Oliveira

Lucas Azevedo, O Estado de S. Paulo

25 de abril de 2014 | 17h41

PORTO ALEGRE - A promotora da Infância e Juventude da cidade gaúcha de Três Passos, Dinamárcia Maciel de Oliveira, pediu à Justiça nesta sexta-feira, 25, o bloqueio dos bens do cirurgião Leandro Boldrini, de 38 anos, suspeito de assassinar o próprio filho, Bernardo Boldrini, de 11. Além do médico, sua mulher, Graciele Ugolini, de 32, e a assistente social Edelvania Wirganovickz, de 40, estão presos suspeitos de participação no crime.

"O MP quer evitar que Boldrini possa vir a se desfazer desses bens (a que Bernardo teria direito, já que era herdeiro) para pagar a própria defesa. Entendemos que é imoral que isso aconteça. A vítima não pode financiar a defesa de seu algoz ", avalia Dinamárcia. Segundo a promotora, a Justiça deve se manifestar nas próximas horas sobre o pedido.

Com essa ação, Dinamárcia protocolou uma medida cautelar protetiva, para que Boldrini e Graciele percam a guarda da filha, de 1 ano e 6 meses. "Os pais realmente não estão com a guarda dela pois estão presos. A criança está transitando pelas casas dos familiares sem que a Justiça tenha sido comunicada para regularizar a situação", explica a promotora. "Se algo acontece com essa criança hoje, o Estado poderia ser responsabilizado, porque segregou os pais e não tomou providências sobre a guarda."

A promotora acredita que, mesmo que o casal seja colocado em liberdade durante o provável processo, não é seguro para o bebê permanecer sob seus cuidado. "Na companhia deles, ela corre riscos. Não podemos afirmar categoricamente que não pode acontecer com ela (o que ocorreu com Bernardo). Também sabemos do grande clamor público. As pessoas se tomam por ímpetos agressivos e tendem a praticar algum atentado contra os suspeitos. Com eles, a criança corre risco."

Ainda pela manhã, peritos do IGP (Instituto-Geral de Perícias) do RS deram procedimento ao trabalho iniciado nesta quinta-feira, 24, em Três Passos e Frederico Westphalen, no noroeste do Rio Grande do Sul. Eles refizeram os últimos passos de Bernardo junto com Graciele e Edelvania. No dia 4 de abril, o menino foi levado de uma cidade a outra na companhia da madrasta como intuito de ganhar uma televisão e visitar uma benzedeira. Em Frederico Westphalen, eles se encontraram com Edelvania. Horas depois, as mulheres foram flagradas por câmeras de segurança de um posto de gasolina sozinhas, mesmo lugar em que, pouco antes, estavam com o menino.

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