Promotores confirmam "quadrilha do motim" na Febem

O Ministério Público Estadual (MPE) confirmou a existência de uma quadrilha formada por funcionários da Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem), que incita as rebeliões dos internos. A constatação foi feita pelos promotores do Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), que já interrogou mais de 20 pessoas, em 15 dias de investigação."Está confirmado. O esquema existe, sim", disse o promotor Roberto Porto, do Gaeco. Os promotores afirmam que possuem provas contra, pelo menos, dez pessoas. São monitores e até diretores que agem nas unidades 30 e 31 de Franco da Rocha, na Grande São Paulo."Os depoimentos mostram que os funcionários chegaram a dar a chave da cela para os adolescentes para que eles iniciassem os motins", explicou Porto, que prefere manter os nomes dos suspeitos sob sigilo.O governador Geraldo Alckmin (PSDB) já anunciou o fechamento da unidade de Franco da Rocha, definida pelo presidente da Febem, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, que é promotor de Justiça, como "a síntese de tudo de ruim" que existe na instituição.Além de manter o sistema em completa instabilidade, os funcionários incitam os motins para receber horas extras. "Eles dizem para os internos: ?Quebra tudo pra gente ganhar mais salário?. E ainda mandam os jovens para o telhado, para aparecer mais", detalhou o promotor.Para comprovar que os funcionários incitam rebeliões para ganhar horas extras, o Gaeco já requisitou à Febem cópias dos holerites dos suspeitos. Alguns são acusados também de tortura contra os adolescentes.Na semana que vem, os promotores vão interrogar mais 20 pessoas. Porto afirma que, em cerca de 15 dias, o bando estará desmantelado. Até agora, os supostos crimes atribuídos aos funcionários são formação de quadrilha e dano patrimonial doloso (contra órgão público). "Apenas uma parte dos funcionários está envolvida. Tem muita gente boa na Febem que, inclusive, tem nos ajudado na investigação."As rebeliões em Franco da Rocha se tornaram freqüentes, principalmente após a nomeação de Costa para a presidência da instituição, em 9 de janeiro. Em uma delas, um funcionário - que havia sido afastado pela Febem - quebrou a perna ao pular um muro. O que um funcionário afastado fazia em Franco da Rocha na hora da rebelião é o que o Gaeco quer saber.A assessoria de imprensa da Febem informou que a instituição apóia a investigação e aguarda a formalização das suspeitas para que sejam tomadas as medidas necessárias. Nesta sexta-feira, o sindicato dos funcionários decidiu iniciar uma campanha em favor da Febem, além de defender no Judiciário e no MPE a desinternação e progressão de medidas de semi-liberdade e liberdade assistida.No dia 21, será realizada nova reunião da categoria no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), que terá como pauta as demissões e o vale-transporte.Às 16h45 desta sexta, cerca de 270 jovens da unidade 30 de Franco da Rocha iniciaram mais uma rebelião. O sindicato dos funcionários informou que um segurança foi feito refém e os internos chegaram a tomar o prédio da administração. Dez subiram no telhado da unidade. Pelo menos dois adolescentes teriam fugido.A assessoria de imprensa da Febem informou que o motim foi controlado por volta das 18 horas e não confirmou as fugas nem se algum funcionário ficou refém dos rebelados. A contagem dos internos seria feita no início da noite.Nesta quinta-feira à noite, 270 internos iniciaram um motim também na unidade 30, quando eram recolhidos às celas. Ninguém foi feito refém. A situação foi controlada por volta das 23 horas.

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