Promotores do Gaeco terão proteção policial

Os promotores que trabalham no Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) passarão a contar com proteção policial, segundo o procurador Alberto de Oliveira Andrade Neto, coordenador do órgão.Ele acompanhou o depoimento do promotor Roberto Porto à Polícia Civil, no prédio do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), em Santana, na zona norte de SP.De acordo com o coordenador do Gaeco, a Secretaria de Segurança Pública de SP ofereceu policiais para dar mais segurança aos promotores do grupo. "Além disso, estamos recomendando que eles tenham mais cautela."Andrade Neto, que concedeu entrevista antes do depoimento do motorista do Ômega, que tornou menos provável a hipótese de atentado, não quis arriscar o possível motivo do tiroteio. O motorista particular Sandro Henrique dos Santos afirmou à polícia que o alvo dos bandidos era seu patrão, o presidente da Bolsa de Valores, Raymundo Magliano Filho.Segundo Andrade Neto, vários integrantes do Gaeco, entre eles Porto, andam armados, por conta do trabalho que executam. Porto possui uma pistola automática calibre 380. A carteira de promotor dispensa a obrigatoriedade do porte de arma, que precisa ser registrada. O calibre - assim como para todas as pessoas - é de uso limitado.Os promotores do Gaeco já mantêm um esquema de segurança. É comum os membros do Ministério Público Estadual (MPE) serem acompanhados a distância por agentes da instituição. A troca de tiros entre Porto e os bandidos foi o principal assunto, nesta segunda-feira, na instituição. Os integrantes do Gaeco colecionam desafetos. A máfia de fiscais, esquema de corrupção que contava com participação de vereadores, agentes públicos, camelôs e até empresas, acabou sendo descoberta pelo MPE. Parlamentares foram presos e perderam seus mandatos. O Primeiro Comando da Capital (PCC) e uma gangue que assalta joalherias também estão na lista do Gaeco. Mas uma investigação chama atenção: a da máfia chinesa. As apurações, como dizem os promotores, "estão mexendo no bolso dessa gente". As ameaças também são comuns, por carta ou por telefone. Uma dessas correspondências, um bilhete acompanhado por vários recortes de reportagens em que os promotores apareciam, advertia: "Tomem cuidado. Os próximos serão vocês." Mesmo assim, os membros do MPE não mostram preocupação. Todos têm curso de tiro e de direção defensiva. "O promotor não é um alvo tão fácil", afirmou José Carlos Blat, um dos mais antigos do Gaeco.

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