Promotoria denuncia exploradores de travestis em Copacabana

Quadrilha buscava os travestis em Minas Gerais e São Paulo e exigia o pagamento de R$ 50 a R$ 150 por semana

Solange Spigliatti, da Central de Notícias,

14 de setembro de 2009 | 10h02

Seis suspeitos de integrar uma quadrilha que explorava sexualmente travestis em Copacabana, no Rio, foram denunciados, com pedido de prisão preventiva, nesta sexta-feira, 11, pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.

 

A denúncia feita pela promotora Ana Lúcia Melo, pede a abertura de ação penal contra os acusados pelos crimes de rufianismo, tráfico interno de pessoas para fins de exploração sexual e submissão de criança ou adolescente à prática da exploração sexual.

 

Segundo o MP, cinco integrantes da quadrilha já haviam sido presos temporariamente no último dia 8, durante a operação "Babilônia II". A denúncia apresentada na sexta-feira acrescentou o nome de Maria Pimentel de Oliveira, conhecida como "Pimentel", cuja ligação com a quadrilha foi descoberta após a prisão dos demais acusados.

 

"Pimentel", que já controlava uma parte dos pontos de prostituição de travestis entre a antiga boate Help e a Praça do Lido, está em liberdade e vem assumindo os pontos antes explorados pelos chefes da quadrilha, identificados como Ulisses Menezes da Motta, o "Iarley", e Cláudio dos Santos Magalhães, o "Boró". Ambos estavam em liberdade condicional.

 

A quadrilha operava desde agosto de 2002 e, segundo a denúncia, "tinha total controle de toda a prostituição feita por travestis em Copacabana", exigindo mediante graves ameaças o pagamento de R$ 50 a R$ 150 por semana, em troca da "autorização" para se prostituir em via pública no bairro.

 

No caso de descumprimento das regras impostas, cobravam-se "multas" de R$ 500 a R$ 1.000. O dinheiro, como ficou comprovado pelas interceptações telefônicas autorizadas judicialmente, era recolhido pelos denunciados Leonardo Silva Costa, o "Graciele", Rafael de Almeida, o "Rafaela", e Eliane da Silva, a "Lia".

 

O grupo explorava entre 60 e 120 travestis, dependendo da época do ano. Entre as vítimas da exploração sexual havia vários adolescentes, um deles com 13 anos de idade. Os três denunciados traziam travestis sobretudo de Minas Gerais e São Paulo. Eles eram alojados em um apartamento na Avenida Princesa Isabel e tinham de pagar entre R$ 10 e R$ 30 pelas "vagas".

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