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Promotoria não acusa mais Ubiratan por 111 mortes

O coronel Ubiratan Guimarães não é mais acusado de 111 mortes. A promotoria acabou de desistir de acusá-lo pelo assassinato de nove presos, mortos a facadas no interior do Pavilhão 9 da Casa de Detenção, no Carandiru. Após falar por 2 horas e 45 minutos, os promotores pediram aos sete jurados que condenem Ubiratan por 102 mortes causadas por disparos de arma de fogo e pelas cinco tentativas de homicídio.A maior surpresa do décimo dia do júri ocorreu no término da fala do promotor Norberto Jóia, o segundo a expor a se manifestar no plenário. "Peço aos senhores a condenação do acusado pelas 102 mortes praticadas com arma de fogo e o afastamento das 9 porque a prova não me convenceu.Peço também a condenação pelas 5 tentativas de homicídio." O promotor afirmou que, como houve uma briga entre presos antes da chegada da PM e os detentos estavam armados com estiletes e facas, era impossível saber se os 9 haviam morrido durante a rebelião ou assassinados por policiais armados com facas e baionetas.Antes, a promotoria afirmou que a PM plantou as 13 armas de fogo que disse ter apreendido no pavilhão. Chovia e o prédio estava alagado por causa do rompimento de canos de água, mas as armas foram entregues secas à perícia. O prédio estava escuro e houve dificuldade até para encontrar os corpos dos mortos -13 só foram achados no dia seguinte."Não conseguiram nem achar os corpos, mas acharam as armas no escuto", disse o promotor Felipe Locke Cavalcanti, o primeiro a falar. O Ministério Público também contou que uma das armas era de propriedade do exército e outra havia sido apreendida pela PM.Mesmo assim, essas duas apareceram no interior do pavilhão. O promotor também explorou o fato de o coronel ter desobedecido todos os manuais da PM para ações nem presídios. "Em vez de usar as tropas com escudos, capacetes e coletes a prova de bala dos 2.º e 3.º batalhões de choque, como previam os planos da própria PM, ele utilizou a Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) armada com metralhadoras." Cavalcanti exibiu aos jurados as submetralhadoras, um fuzil, uma escopeta e outras armas usadas pelos policiais. E leu ainda os planos da PM que dizia não serem essas as armas apropriadas para ação em presídios. O promotor afirmou que o réu planejou mal a operação e, conhecendo o histórico de violência de seus homens, alguns dos quais respondiam a mais de duas dezenas de processos por homicídio, assumiu o risco de produzir o massacre. "Aqui não é a PM que está em julgamento, mas o réu que utilizou de uma farda para conduzir uma ação desastrosa, agindo criminosamente e, por isso, deve ser punido", disse o promotor Cavalcanti.Após falar por uma hora e meia foi a vez de seu colega, o promotor Jóia continuar a expor os argumentos da acusação. Ele afirmou que o réu, após ter dominado o pátio e o térreo do pavilhão e ter ouvido tiros e rajadas de metralhadora não tentou parar a operação, omitindo-se.Também não tentou iniciar novas negociações com os presos, que estavam encurralados e não poderiam fugir. Somente quando os detentos sobreviventes começavam a descer para o pátio é que Ubiratan foi atingido por uma explosão.EleiçõesJóia explicou a pressa do coronel em acabar com a rebelião porque no dia seguinte haveria eleições municipais e o candidato do governo do Estado poderia ser prejudicado caso a rebelião se prolongasse. No final, Jóia disse, citando uma a um os jurados que era necessário demonstrar que a sociedade não compactua com o massacre. Dentro de uma hora, a defesa deverá começar a falar. Terá o mesmo tempo que a acusação. Depois, a acusação retornará para a réplica por 30 minutos e a defesa terá outros 30. Com o término dos debates, os jurados vão se reunir na sala secreta e decidir se o coronel é inocente ou culpado.

Agencia Estado,

29 de junho de 2001 | 15h18

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