Proposta de ida de Beira-Mar para Espírito Santo será avaliada

Mesmo diante da disposição do governador do Espírito Santo, Paulo Hartung, de receber Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, as autoridades federais vão fazer uma avaliação rigorosa da proposta.O motivo é que o Estado hoje é considerado uma filial dos negócios ilegais do traficante. Tanto em Vitória como no interior capixaba, Beira-Mar conseguiu montar diversos esquemas para lavar o dinheiro do narcotráfico. Em Guarapari, por exemplo, ele chegou a ter uma construtora especializada em edifícios de luxo.Apesar de a Justiça ter bloqueado alguns bens de Beira-Mar, as investigações indicam que ele tem uma extensa rede de "laranjas" que movimentam dinheiro em diversas agências bancárias, principalmente do interior do Espírito Santo. O traficante, conforme relatório da PF, abriu contas em bancos sem nunca ter estado no Espírito Santo.Uma delas foi na Caixa Econômica Federal, onde obteve a ajuda de uma funcionária. Como pagamento pelo "favor", Beira-Mar presenteou o marido da bancária com uma parte da construtora que montou. Foi por meio destas contas que Fernandinho Beira-Mar movimentou dinheiro do narcotráfico vindo de Minas Gerais e Rio de Janeiro, onde mantém suas principais bases de atuação.Todos os depósitos, saques e pagamentos eram determinados por telefone, provavelmente de Bangu 1 e da carceragem da PF, em Brasília, onde esteve preso nos últimos anos. No Espírito Santo, as investigações revelam indícios de que o traficante ainda mantém imóveis em Alfredo Chaves e Guarapari. Nestas cidades, construiu alguns prédios e vendeu unidades a preços baixos, uma forma de lavar dinheiro.Mas os negócios de Beira-Mar não se limitavam aos imóveis. Ele também utilizava o Porto de Vitória como rota de tráfico, além de pequenos aeroportos pelo interior do Estado, já que os radares da Aeronáutica funcionavam apenas em São Paulo e Curitiba. O mesmo sistema chegou a ser usado pelo traficante Leonardo Dias Mendonça, o Léo, hoje o principal adversário de Beira-Mar.Nesta quinta-feira, o governo não tinha qualquer definição sobre o destino de Fernandinho Beira-Mar. Mas de uma coisa as autoridades já têm certeza: antes de 40 dias será impossível retirar o traficante de Alagoas, onde está preso."Não temos condições de construir ou reformar qualquer presídio de segurança máxima em menos de três meses", confirmou uma fonte do Ministério da Justiça. "Mesmo com a oferta do governo do Espírito Santo, não teríamos tempo suficiente. O jeito será remover o preso para outro local." E é justamente esse, hoje, o principal problema do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, que, nesta quinta-feira, cancelou uma palestra que iria fazer no Senado, alegando problemas de saúde.Na segunda-feira, durante reunião com secretários de Segurança Pública de todo o País, em Porto Alegre, Thomaz Bastos vai tentar convencê-los a aceitar a presença de Beira-Mar, que poderia tornar-se um prisioneiro itinerante até que seja construído um presídio seguro. Veja o especial:

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