Proposta proíbe motociclistas de circular entre os carros nas ruas

Motocicletas poderiam trafegar apenas entre veículos parados, mesmo assim em velocidade reduzida; ?Não faz sentido. A moto vai deixar de ser moto. Agora, vamos parar o Brasil', ameaçou líder de motoboys

Lisandra Paraguassú e Naiana Oscar, Brasília, O Estadao de S.Paulo

01 de fevereiro de 2008 | 00h00

O alto número de motociclistas mortos no País - quase 7 mil, em 2006 - levou o Ministério da Justiça a propor ontem a revogação da permissão para motos trafegarem entre os carros, dada em 2000 pelo Código de Trânsito. Essa é uma das principais medidas apresentadas ontem no pacote de alterações das leis de trânsito. Se ela for aprovada, os motociclistas só poderão andar entre carros com o trânsito parado e, no máximo, a 30 quilômetros por hora.Até 2000, a lei previa que as motos deveriam andar como os carros, no meio das faixas. O código mudou mas, impulsionado pelo trânsito caótico das cidades e pela necessidade de serviços de entregas rápidas, o número de motos no País cresceu 151% em sete anos. E o de mortes de motociclistas aumentou 83% entre 2002 e 2006. Dados da Polícia Civil de Brasília, citados pelo ministério, mostram que metade dos acidentes na cidade envolvem motos, que, na maioria, estão entre as faixas.O número de motociclistas mortos em 2006, de acordo com o Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros, divulgado na terça-feira, chegou a 6.829. É um número próximo ao de pessoas mortas em acidentes com carros (7.440), cuja frota é o triplo da de motos. Hoje, os motociclistas já representam 25% das mortes no trânsito e perdem apenas para os pedestres. "É uma medida que deve ser discutida, mas algo precisa ser feito. Chegou-se a um número inadmissível de mortes", afirmou Pedro Abramovay, secretário de Assuntos Legislativos do ministério. A possibilidade de mudança já provoca protestos dos motoboys. "Não faz sentido. A moto vai deixar de ser moto. Agora, vamos parar o Brasil", ameaçou o presidente do Sindicato dos Motoboys de São Paulo, Gilberto dos Santos. Para o presidente da Associação Brasileira de Motociclistas, Lucas Pimentel, a derrubada do veto vai aumentar o risco de acidentes. "Com o carro na nossa frente, vamos perder a visibilidade."A maioria dos especialistas na área de trânsito, no entanto, elogiou a iniciativa. "O Artigo 56 (do código, que proibia o tráfego de motos no meio das faixas) nunca deveria ter sido vetado", disse a diretora da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego, Maria Koisumi. O consultor de trânsito Horácio Figueira também é favorável à proibição. "Prefiro ver um motociclista multado a vê-lo mutilado."O ministério pretende também mudar a legislação sobre uso do celular. Hoje, é proibido dirigir falando ao telefone, mas o código prevê só infração média por dirigir sem uma das mãos no volante. Agora, a intenção é que passe a prever "dirigir usando o telefone celular", o que elevará a infração para gravíssima, com multa de R$ 315.O governo também propôs que motoristas de ônibus e caminhões não possam dirigir por mais de quatro horas sem parar pelo menos meia hora. Se for verificado excesso de horas no tacógrafo, poderá ser aplicada multa por infração grave.

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