Propostas incham máquina pública com despreparados

A massa de ex-servidores que o Congresso quer realojar na administração pública terá o efeito de uma injeção de colesterol ruim.

Análise: Luiz Alberto Weber, O Estado de S.Paulo

01 de julho de 2010 | 00h00

Boa parte dos candidatos ao ingresso pela "janela" é de profissionais desqualificados, desatualizados ou que passaram a última década em aventuras empresariais mal-sucedidas que não guardam nenhuma afinidade com a missão pública.

Neste período, o Estado brasileiro engordou, mas, aqui e acolá, ficou mais saudável. Apesar do sobrepeso provocado pela enxurrada de concursos e contratações, os novos servidores possuem um perfil mais técnico.

Em contraste, a maior parte dos "pedevistas" era de nível fundamental, segundo informou ao Estado um integrante do Movimento Nacional Unificado pela Readmissão/Reintegração dos Pedevistas (Murp). É o tipo de trabalhador que hoje em dia o governo não contrata, terceiriza.

No caso das estatais e das sociedades de economia mista, o choque pode ser maior. Em dez anos, empresas como a Petrobrás ou o Banco do Brasil passaram por transformações tecnológicas importantes. Quem, por exemplo, abriu uma lanchonete nesse período, mesmo que seja engenheiro, terá dificuldades de adequação.

A rigor, os projetos apenas servem como um estágio tardio para a aposentadoria. Muitos dos candidatos já são pré-aposentados e têm o interesse de voltar ao serviço público apenas para cumprir um prazo no escritório e obter uma pensão mais camarada.

É JORNALISTA DE "O ESTADO DE S. PAULO"

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