Proteção vai de Sesc a viaduto

Conpresp aprova tombamento de colégios, igrejas, galpões e Mercado

Vitor Hugo Brandalise, O Estadao de S.Paulo

13 de maio de 2009 | 00h00

Entre os 17 imóveis tombados na Lapa, há diferentes perfis - de igrejas a viaduto, de colégios de construção centenária a galpões industriais das primeiras décadas do século passado. "Foram escolhidos para tombamento imóveis de características diversas, para conservar a Lapa operária, a Lapa da cultura, a Lapa das igrejas frequentadas pela comunidade, um pouco de tudo", justifica o presidente do Conpresp, José Eduardo de Assis Lefèvre.No campo cultural, foram tombados os edifícios da unidade do Sesc Pompeia, inaugurada em 1982, com projeto de Lina Bo Bardi, nos galpões que abrigavam uma fábrica de tambores e geladeiras. Inicialmente conhecido como Sesc Fábrica da Pompeia, a unidade mantém estruturas originais, com tijolos aparentes e amplos galpões abertos, que hoje abrigam choperia e palco para shows, espaço para exposições e oficinas.Também foi tombado o museu biográfico e literário Casa Guilherme de Almeida, em Perdizes, adaptado na residência simples, construída em 1946, onde o poeta modernista viveu grande parte da vida. O museu, que conta com importante acervo de obras de arte - quadros de Di Cavalcanti, Lasar Segall, Anita Malfatti, além das primeiras edições dos livros do poeta, entre 6 mil volumes no total -, está fechado desde setembro de 2006, quando interrompeu a visitação para reforma, que até agora não saiu do papel.O Mercado Municipal da Lapa, fundado em 1951 com apenas 40 boxes - hoje são cerca de 160 -, também está na lista, ao lado do Viaduto Pacaembu, única obra viária tombada ontem. No mesmo processo, foram excluídos de tombamento as Pontes do Jaguaré e Atílio Fontana. "O Viaduto Pacaembu tem arcos e ornamentos característicos de obra de arte, coisa que as pontes, meras construções de acesso viário, não têm", afirma Lefèvre.Outro conjunto de edifícios tombado ontem foi a Estação Ciência, da USP, construída nos galpões de uma tecelagem da década de 1910 e utilizados como posto de sementes da Secretaria da Agricultura do Estado até 1987, quando foram adquiridos pela universidade. Hoje, abriga exposições e atividades científicas. No campo religioso, foram tombadas as Igrejas de Nossa Senhora da Lapa e São João Maria Vianney, além do Instituto Rogacionista, na Avenida Santa Marina.Entre administradores dos imóveis tombados, a notícia chegou como novidade absoluta. "Nem sabíamos do processo por indicação da população. Quero ver como vai ficar nossa reforma, vai demorar ainda mais", disse o diretor do museu Casa Guilherme de Almeida, Marcelo Tápias. "Deveriam esclarecer melhor."PRESERVAÇÃO17 casos de relevância histórica 1. Casa Sede da Corporação operária musical da Lapa - Rua Joaquim Machado, 99 2. Fachada da antiga fábrica de tubos de barro - Avenida Santa Marina, 372 e 394 3. Fábrica Companhia Melhoramentos - somente construção existente na esquina da Rua Tito, 479 com a Rua Spartaco, 685 4. Colégio Guilherme Kuhlmann - Largo da Lapa, 124 5.Escola Estadual Pereira Barreto - Rua Nossa Senhora da Lapa, 615 6. Casarão de Henrique Dumont Villares - Rua Marselha, 45 7. Igreja São João Maria Vianney - Praça Cornélia, s/n.º 8. Casa Guilherme de Almeida - Rua Macapá, 187 9. 3 Galpões da Antiga Cooperativa de Cotia - Avenida Kenkiti Shimonoto com Avenida Jaguaré 10. Estação Ciência - Rua Guaicurus, 1.270 a 1.474 11. Mercado Municipal da Lapa 12.Edifício do Instituto Rogacionista - Avenida Santa Marina, 534 13. Igreja Nossa Senhora da Lapa - Rua Nossa Senhora da Lapa, 298 14. EEPSG Colégio Anhanguera - Rua Antonio Raposo, 87 15. Edifício Galpão Industrial - Rua Padre Chico, 780 16. Sesc Pompeia - Rua Clélia, 93 com Rua Barão do Bananal, s/nº 17. Viaduto General Olímpio da Silveira - Viaduto Pacaembu

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