Protesto contra violência reúne 200 no Rio

Parentes de vítimas da violência uniram-se hoje pela manhã a jornalistas e representantes de entidades da sociedade civil para protestar contra o assassinato de Tim Lopes, que completa um mês na próxima terça-feira. A Avenida Rio Branco, no centro, foi tomada por cerca de 200 manifestantes, que seguravam faixas para contar histórias de crimes que ficaram impunes.Foi o quinto ato público em memória de Tim Lopes. Cunhado do jornalista, o advogado André Martins defendeu a união de toda a sociedade para cobrar do Estado o combate à violência. "A resposta a essa situação de desrespeito do estado de direito só será efetiva se a população realmente aderir. Enquanto não acontece na casa de cada uma das pessoas, elas acham que não é com elas."Martins disse que a família do repórter quer saber do Estado o que de fato aconteceu com ele na noite do dia 2, quando ele foi à Favela Vila Cruzeiro, no Complexo do Alemão, zona norte do Rio, para gravar imagens de um baile funk em que haveria, de acordo com denúncia dos próprios moradores, show de sexo explícito com menores e venda e consumo de drogas. O inquérito ainda não foi concluído, mas o chefe de Polícia Civil, Zaqueu Teixeira, considera o fato esclarecido. O traficante Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, acusado do crime, continua em liberdade.Solidariedade A família de Tim Lopes recebeu apoio de gente como o administrador Carlos Terra, que veio de Salvador ao Rio para prestar solidariedade. Ele viveu drama semelhante: no dia 21 de março de 2001, seu filho, o estudante Lucas Terra, de 14 anos, foi estuprado e queimado vivo pelo pastor da igreja que freqüentava. Ele chegou a ser denunciado pelo Ministério Público, mas ainda está em liberdade. O pai já foi até Genebra, na Suíça, para pedir à Organização de Nações Unidas (ONU) que pressione o governo brasileiro a prender o pastor. "Faz 460 dias que meu filho morreu e só vou parar de lutar quando o assassino estiver preso." A dona-de-casa Vilma da Silva Guimarães, que perdeu o filho Marco Aurélio Silva Guimarães há menos de dois meses, também foi à manifestação para lutar por justiça. "Meu filho levou dois tiros durante uma briga. Nem sei qual foi o motivo. O assassino está preso temporariamente, mas quero que ele seja condenado." Ela tem feito vigília em frente ao Fórum do Rio. "Tenho que continuar vivendo, mas, se há lei, tem de ser cumprida."Amanhã, a comissão de jornalistas que acompanha o caso Tim Lopes vai se reunir mais uma vez. Eles querem que as buscas ao corpo do repórter sejam retomadas e que a ocupação social do Complexo do Alemão prometida pelo Estado saia do papel. Na terça-feira, será celebrado ato ecumênico em memória de Tim Lopes na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), a partir de meio-dia.Corpos encontradosTrês corpos - um em um bueiro, outro em um valão e o terceiro na rua - foram encontrados pela polícia na madrugada de hoje, na Favela Parque Alegria. Até início da tarde, os corpos não haviam sido identificados, mas a versão inicial era de que as vítimas teriam sido baleadas durante tiroteio entre facções rivais do tráfico. O Parque Alegria é uma favela plana, que fica próxima ao cemitério do Caju, na zona portuária.

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