Protesto de controladores atrasa vôos no Brasil

Mais de 50 vôos estavam atrasados até as 9h40 desta terça-feira, 31, nos principais aeroportos do País. A situação era mais crítica no Aeroporto de Congonhas, na cidade de São Paulo. Os atrasos nos vôos são causados pela operação-padrão realizada pelos controladores de vôo do centro de controle aéreo de Brasília, o Cindacta 1, que chega ao quarto dia consecutivo. Na semana passada, os controladores de Brasília resolveram seguir à risca os procedimentos de vôo. Após a colisão entre o jato Legacy e o Boeing 737-800 da Gol, ocorrida em 29 de setembro, em Mato Grosso, que causou a morte de 154 pessoas, a categoria decidiu que não iria mais trabalhar acima de sua capacidade. O próprio presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores em Proteção ao Vôo (SN-TPV), Jorge Botelho, admitiu que a operação-padrão foi uma reação da categoria à suspeita de que a conduta de um funcionário do Cindacta 1 teria contribuído para o acidente. Na prática, nenhuma norma internacional estabelece quantas aeronaves um controlador tem condições de monitorar simultaneamente. Segundo a Organização de Aviação Civil Internacional (Icao, na sigla internacional), cabe às autoridades aeronáuticas de cada país estipular esse número, conforme o fluxo de aviões no espaço aéreo e o quadro de funcionários.Na operação, que começou na sexta-feira, os passageiros geralmente chegam a aguardar entre 30 e 40 minutos dentro do avião na pista até que a torre de controle libere a partida. Os vôos decolam com até três horas de atraso. Pousos e decolagens com pouco intervalo ficam limitados. Em determinadas situações, as decolagens chegam a ser proibidas.Em Congonhas, 19 vôos estavam atrasados, entre eles dois vôos da TAM, um vindo de Salvador com previsão de chegada às 06h05 e outro de Recife com previsão de chegada às 6h20. Os aviões só deveriam pousar ao meio-dia e às 11 horas, respectivamente. No Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, às 9h40, havia aproximadamente 8 vôos atrasados, mas os números variavam a todo instante. O maior atraso ocorria com o vôo 1705, de Manaus, que deveria ter pousado em Cumbica às 9 horas. A aterrissagem foi confirmada para as 14 horas. A mesma situação se repetia no Rio de Janeiro no Aeroporto Internacional Antonio Carlos Jobim, do Galeão, na Ilha do Governador, onde havia atrasos em 22 vôos. De acordo com a Infraero, os passageiros aguardavam em média de 40 a 45 minutos para embarcar.Em Brasília, 12 vôos estavam atrasados. Os passageiros esperavam em média duas horas para conseguir entrar no avião. Um vôo que deveria ter partido às 5 horas com destino ao Aeroporto Internacional de São Paulo, em Cumbica, Guarulhos, ainda não havia aterrisado às 9h40. Isso porque o avião vinha de São Luís, no Maranhão, onde o espaço aéreo estava congestionado. Os painéis do Aeroporto de Brasília registraram esta manhã aumento no número de vôos atrasados em relação à segunda-feira.No Aeroporto Internacional dos Guararapes, em Recife, a situação também se complicou esta manhã. Até as 9h40, cinco vôos tiveram partidas atrasadas. O problema maior aconteceu com o vôo 3312, da TAM, que deveria ter saído de Recife com destino a João Pessoa, na Paraíba. A decolagem estava atrasada e a previsão era de que o vôo deveria deixar Recife às 9h55. Muito tumulto também nesta manhã nas alas de embarque e desembarque nos aeroportos de Belo Horizonte. Seis vôos que deveriam ter deixado o Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, região metropolitana de BH, entre meia-noite e 8h50, estavam atrasados. Um vôo para João Pessoa, na Paraíba, por exemplo, já tinha um atraso de mais de nove horas. Também não decolaram quatro vôos que iriam para São Paulo e um para o Rio. Outro vôo da Gol que decolaria às 8h20 para Vitória, no Espírito Santo, foi cancelado. Já no Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte, um vôo com destino à cidade de Uberaba, que também fica em Minas Gerais, saiu com uma hora de atraso. Desde a tarde de segunda-feira , 35 vôos foram suspensos no Aeroporto de Confins. Com isso, cerca de quatro mil passageiros ainda não conseguiram embarcar.AposentadosPara reduzir os transtornos causados pela operação-padrão dos controladores de vôo de Brasília, o governo federal cogita convocar militares da Aeronáutica que já foram para a reserva para trabalharem nos centros de controle do espaço aéreo, em particular na região do Cindacta-1. A proposta começou a ser debatida nesta segunda, no final da tarde, pelo ministro da Defesa, Waldir Pires, com representantes da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), da Aeronáutica e da Infraero.O governo avalia que essa é a forma mais rápida de solucionar os transtornos da falta de pessoal. Os militares da reserva precisariam de menos tempo de treinamento que novos contratados para os cargos. A estimativa é que poderia variar entre uma semana a um mês de treinamento, dependendo do tempo que estão afastados. Rodízio de aviões executivosUma outra alternativa decidida na segunda-feira pela Aeronáutica instituiu uma espécie de rodízio para aviões de pequeno porte e jatos executivos. Nos horários de pico - entre as 7h30 e o meio-dia e das 17 às 20 horas -, essas aeronaves ficam, em princípio, impedidas de decolar, pousar ou sobrevoar o espaço aéreo entre Brasília, Cuiabá, São Paulo, Rio e Belo Horizonte.Assinada no domingo à noite pelo Comando da Aeronáutica, sem que nenhuma das empresas afetadas fosse previamente notificada, a norma técnica vai vigorar até 28 de novembro.Matéria atualizada às 10h15

Agencia Estado,

31 de outubro de 2006 | 09h53

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