Protesto de perueiros derruba presidente do Detro do Rio

O presidente do Departamento de Transportes Rodoviários (Detro) do Rio, Rogério Onofre, foi exonerado hoje pela governadora Rosinha Matheus (PMDB) após afirmar em entrevista que o governo do Estado cedeu a "chantagem" na negociação com perueiros que, declarou, querem a "continuação da bandalha".Onofre criticou tanto a ordem do Palácio Guanabara de não reprimir o protesto de motoristas de vans, ontem, que bloqueou a pista central da principal avenida do centro do Rio, a Presidente Vargas, como o acordo decidido em reunião na noite de ontem com o secretário de Governo, Anthony Garotinho. O Ministério Público do Estado vai investigar o fato de não terem sido aplicadas multas de trânsito aos motoristas que estacionaram os veículos em locais proibidos durante o protesto. A Polícia Militar não interveio.De acordo com o MP, a não-aplicação das multas poderia, em tese, caracterizar improbidade administrativa, por descumprimento do Código de Trânsito, em detrimento da arrecadação do Estado, prevista no artigo 10 da Lei 8.429."A guarda do patrimônio público não é de minha responsabilidade, porque se fosse não haveria essa manifestação. Foi um flagrante desrespeito ao Estado de Direito. Lamento que por uma chantagem realizada pelos manifestantes seja adiada mais uma vez a resolução para licitação de licenças. O que está por trás desse protesto é o desejo de que não haja ordenamento, de continuar a bandalha", afirmou Onofre, em entrevista à Rádio CBN.A presidência do Detro será ocupada interinamente pelo subsecretário de Governo, Ricardo Bittar, que foi criticado por Onofre. Ele chamara de "desinformação" a afirmação feita pelo subsecretário de que 1.200 motoristas hoje em atuação seriam excluídos da licitação e afirmou que não houve um cancelamento do edital de licitação, e sim uma suspensão por trinta dias.Segundo ele, o Detro previa para o fim do processo 3.300 autorizações. "Isso (a informação de que 1.200 motoristas seriam excluídos) é uma desinformação. Em momento algum o edital previu que seriam apenas 350. Ouvimos exaustivamente as cooperativas, atendemos todas reivindicações. Só não foi atendido o que não encontrava respaldo na legislação. O interesse corporativo de um segmento não pode prevalecer sobre o interesse da população."Segundo ele, a licitação foi determinada pelo Judiciário, atendendo a ação do Ministério Público. Para Onofre, a licitação contraria os interesses de quem possui vários veículos, mas será boa para os motoristas autônomos. Ele afirmou que o protesto foi organizado pelas grandes cooperativas. Hoje, a PM alegou que reprimir o protesto poderia ter levado a "conseqüências prejudiciais à população". A negociação que manteve a interdição da pista central da avenida foi feita pelo comandante do Batalhão de Policiamento de Trânsito (BPTRan), tenente-coronel Ricardo Coutinho Pacheco. Cerca de 1,2 mil veículos participaram do protesto, que começou no fim da madrugada e só terminou às 21 horas. Para o comandante da Guarda Municipal, coronel Carlos Moraes Antunes, subordinado ao prefeito Cesar Maia (PFL), a manifestação representou "crime de quebra da ordem pública" e caberia à PM desobstruir as pistas.

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