Protesto de professores e vaias de prefeitos no debate

O ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB) chegou ao primeiro debate entre os pré-candidatos à Presidência sob protesto e vaias dos professores da rede estadual de Minas Gerais, que estão em greve e cobram melhora no piso da categoria.

, O Estado de S.Paulo

07 de maio de 2010 | 00h00

Os manifestantes disseram que "Serra, Aécio e Anastasia são a mesma coisa", numa referência ao presidenciável, que governou São Paulo, o ex-governador mineiro Aécio Neves e o atual Antônio Anastasia. Mas foi a ex-ministra Dilma quem enfrentou vaias da plateia do congresso mineiro de municípios, que reuniu cerca de 400 prefeitos e parlamentares em Belo Horizonte.

"Paz e amor". O pré-candidato Serra que subiu ao palco ontem foi um político muito diferente dos debates públicos realizados durante sua campanha anterior para a Presidência da República, em 2002. Para muitos espectadores, o Serra de ontem era uma espécie de versão "paz e amor".

Descontraído e conciliador, o tucano disse que, embora possa soar como "heresia", se for eleito presidente, vai querer o PT e o PV fazendo parte de seu governo. Ele brincou, fez piada com as candidatas e até conseguiu tirar de uma nervosa ex-ministra Dilma Rousseff , estreando num debate entre candidatos, sua única brincadeira da tarde. Quando Serra disse que o evento não era um "Fla x Flu" ou um "Atlético x Cruzeiro", Dilma foi obrigada a confessar que é atleticana. Mas não foi a vaia dos cruzeirenses que marcou sua participação.

Prejuízo. A ex-ministra foi vaiada quando disse que o governo Lula evitou que os municípios brasileiros fossem arrasados pela crise financeira mundial porque concedeu benefícios tributários para salvar a atividade econômica. Os prefeitos, prejudicados pela queda na arrecadação, não perdoaram. Não adiantou a petista dizer, depois, que o governo compensou as perdas com repasse de R$ 2 bilhões.

Foi o gancho para Serra usar um discurso típico dos prefeitos contra a União: não dá para fazer caridade com chapéu dos outros. Serra lembrou que as perdas com a desoneração tributária foram de R$ 3,5 bilhões e a compensação, muito menor.

Dilma aproveitou todas as oportunidades para fazer propaganda do governo, com citações do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

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