Protesto de vans para Marginal do Tietê

Setor de fretados quer regras para turismo e alterações nas paradas

Renato Machado e Diego Zanchetta, O Estadao de S.Paulo

04 Agosto 2009 | 00h00

Um protesto com motoristas de 60 vans atrapalhou o trânsito de São Paulo na manhã de ontem, principalmente na Marginal do Tietê, que chegou a ter 22 km de lentidão - a via tem 24 km de extensão. Indiretamente atingido pela portaria que restringiu a circulação dos ônibus fretados, o grupo saiu da Praça Heróis da FEB, na zona norte, trafegando em comboio e com velocidade reduzida por duas horas até a Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, na zona sul, deixando atrás um rastro de congestionamento. À noite, uma manifestação de ônibus contra a legislação bloqueou a faixa central da Avenida Dr. Arnaldo por alguns minutos. Pela manhã, os manifestantes eram todos motoristas ou empresários que trabalham com turismo na cidade de São Paulo. Eles reclamam que a restrição aos fretados atrapalhou indiretamente os passeios realizados pelas vans, mesmo que essas tenham direito à autorização especial para circular dentro da chamada Zona de Máxima Restrição de Fretamento (ZMRF) - área de 70 km² onde os fretados estão proibidos. Para conseguir a autorização especial, os veículos precisam solicitar com cinco dias de antecedência e informar o endereço de partida, o de chegada e todo o itinerário. Mas os motoristas pedem uma legislação específica de turismo e a liberação de vias famosas. "Se um grupo que paga, e caro, pelo meu serviço, pedir para conhecer a Paulista, vou precisar mandar eles descerem e ir a pé", diz o motorista Rivanaldo de Lima. Em reunião à tarde com o secretário de Transportes, Alexandre de Moraes, o setor de fretados também solicitou mais agilidade na concessão de autorizações especiais, a instalação de abrigos nos pontos, a construção de uma paralela na Avenida Ricardo Jafet (Estação Imigrantes do Metrô), novos pontos de embarque e a liberação de vias na região central. O Transfretur, principal sindicato do setor de fretados, anunciou ontem que vai recorrer da decisão da Justiça, que manteve a restrição. Na sexta-feira, pouco mais de duas horas após o sindicato conseguir uma liminar contra a portaria da Prefeitura, o presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), desembargador Roberto Antonio Vallim Bellocchi, cassou a liminar. "Todos gostaríamos que a Justiça fosse ágil, mas recebemos com surpresa essa rapidez", diz o advogado do Transfretur, Marcos Perez. "Acho que foi uma pena o fato de a liminar ter sido cassada (contra a restrição). Seria um tempo a mais para aperfeiçoar a lei", argumentou a promotora de Habitação e Urbanismo, Cláudia Beré. "Sou favorável à regulamentação, mas não sou contra os fretados." Essa polêmica, porém, deverá ser a última da promotora - que também questionou alterações no Plano Diretor pelo governo. Em 30 dias, Beré passará a cuidar de causas ligadas aos idosos na Promotoria de Direitos Humanos.

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