Protesto é fonte de renda para ambulante

Para desempregados, ou subempregados, eventos são sinônimo de oportunidade; boneco inflável da presidente era vendido a R$ 20

Rafael Italini, O Estado de S. Paulo

13 de março de 2016 | 22h41

SÃO PAULO - Desempregados com formação e jovens atrás de complemento de renda eram a maioria entre os ambulantes que aproveitaram o protesto na Avenida Paulista para aliviar as contas da casa. Eles vendiam de tudo: comidas, bebidas, artesanatos e, principalmente camisetas e bonecos infláveis contra a presidente Dilma Rousseff, o ex-presidente Lula e o Partido dos Trabalhadores. E, dependendo do alvo do protesto, o preço era diferenciado.

Enquanto o boneco inflável da presidente era vendido a R$ 20, os do ex-presidente Lula saiam por R$ 10. Segundo vendedores que comercializaram os pixulecos, fazendo bicos a R$ 100 pelo dia de trabalho, foram os “patrões” que orientaram a venda para deixar a Avenida Paulista tomada de bonecos do ex-presidente. 

“Vendendo mais barato, a chance de as pessoas comprarem o pixuleco é maior”, explicou Andressa Silveira, de 18 anos. Moradora do Bairro do Limão, na zona norte, ela complementa a renda mensal trabalhando nos dias de protesto sempre comercializando os bonecos. “Se está difícil para rico, imagina para mim.” Andressa ganha R$ 990 por mês.

Em uma das calçadas, o ambulante Gebson Silva, de 30 anos, vendia doces caseiros a um preço médio de R$ 6. Até o fim da tarde, ele tinha faturado R$ 400. “Mas meu lucro é muito pequeno. Fico com no máximo R$ 150. O resto é para comprar os ingredientes e pagar o combustível.” 

Silva tem curso superior e é auxiliar de enfermagem, mas está desempregado há quatro anos. Ele reclama de estar “estacionado” economicamente. “Com muito esforço eu saí da classe D e fui para a classe C. Agora é praticamente impossível subir para a B. Estou lutando para não voltar a ser pobre outra vez.”

Já o ambulante Edinaldo Caetano dos Santos, de 57 anos, vê as oportunidades de emprego diminuírem por causa da idade. No domingo ele vendia camisetas contra a presidente Dilma. “Tenho curso de segurança e me especializei porque a promessa quando o Lula assumiu era de melhora. Me dediquei e hoje vejo que sou considerado velho pelos patrões. Ninguém quer contratar um segurança de quase 60 anos.” 

Cético em relação aos protestos, ele diz que “político só lembra do povo quando precisa de voto”.

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