Protesto fecha Marginal e acaba em confronto com PM

Moradores do conjunto Parque do Gato fizeram ato contra desapropriações; quatro ficaram feridos

Gabriela Gasparin, Humberto Maia Junior e Eduardo Reina, O Estadao de S.Paulo

07 Agosto 2028 | 00h00

Cerca de 500 moradores do Parque do Gato, no Bom Retiro, zona leste de São Paulo, fecharam ontem as pistas expressa e local da Marginal do Tietê das 6 às 9 horas em uma manifestação contra ações de desapropriação do conjunto pela Prefeitura. As vias só foram liberadas após a chegada da Tropa de Choque da Polícia Militar, que usou sprays de gás de pimenta e disparou balas de borracha contra os manifestantes.Cinco moradores (um menor, três homens e uma mulher), acusados atirar pedras contra os policias foram levados ao 2º DP. A garçonete Carmelina Lopes de Jesus, de 23 anos, grávida de dois meses, levou três tiros de borracha nas costas e foi levada à Santa Casa, em Santa Cecília, região central. "Passei mal e cheguei a desmaiar." Outros três manifestantes ficaram feridos, entre eles Marilene Rosa, de 44, que recebeu um tiro de borracha no ombro. "O movimento estava pacífico, mas os policiais já chegaram atirando na gente."Os manifestantes reivindicam que a Secretaria da Habitação regularize a situação dos moradores. Segundo eles, dos 486 apartamentos do local, 150 foram revendidos por seus proprietários originais ou alugados. A Prefeitura não confirmou a informação. "Eu assumi a dívida do antigo dono e pago o aluguel regularmente. Quero poder ficar aqui, pois não tenho para onde ir", disse a costureira Francisca Maria Sousa, de 29.Construído há quatro anos pela então prefeita Marta Suplicy (2001-2004), o conjunto faz parte do projeto Locação Social, onde os moradores pagam um aluguel mensal do imóvel no valor de 10% a 15% da renda familiar. Nesse caso, o morador nunca será dono. Na tarde de ontem, representantes dos moradores participaram de uma reunião na Secretaria de Habitação. Segundo a líder da comunidade, Neusa Maria de Oliveira, de 42, foi acertado que hoje deverá ser iniciado um cadastramento dos moradores e examinada a possibilidade de quem está irregular permanecer no imóvel. A secretaria negou o acordo e informou que, caso a Justiça determine, todos os moradores irregulares serão desapropriados.O prefeito Gilberto Kassab (DEM) disse que está pedindo ao Ministério Público para tomar as providências necessárias para identificar os responsáveis pela manifestação. "É um absurdo que milhares de brasileiros que moram e trabalham em São Paulo paguem pela ação de pessoas que querem fazer manifestação. Elas devem ser punidas civil e criminalmente por fazer manifestação em local inadequado."Em reportagem publicada no Estado em maio de 2006, a Secretaria da Habitação admitia existir a venda de apartamentos em anúncios de sites e de jornais.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.