Protesto por tarifa interdita Rio-Santos em São Sebastião

Cerca de mil manifestantes, segundo a PM, interditaram trecho da rodovia por mais de uma hora na noite dessa terça-feira; novos atos são esperados em outras três cidades do litoral

Reginaldo Pupo

19 Junho 2013 | 07h51

São Sebastião - Na onda das manifestações que vêm sendo registradas nas principais cidades do País para a redução das tarifas de ônibus, cerca de mil pessoas, segundo a Polícia Militar, interditaram por uma hora e meia a Rodovia Rio-Santos na altura de São Sebastião, no litoral norte paulista, na noite dessa terça-feira, 18. Foi o primeiro protesto da região. Há manifestações previstas em Caraguatatuba, Ilhabela e Ubatuba no decorrer da semana.

 

Por volta das 21h, os manifestantes impediram o tráfego de veículos e fecharam as duas pistas no perímetro urbano. Alguns dos protestantes, maioria formada por adolescentes, sentaram na pista para dificultar o trânsito. Um capitão da Polícia Militar tentou negociar a retirada dos manifestantes, mas não obteve êxito. "Vamos esperar mais um pouco. Se não saírem, teremos que retirar a força", ameaçou.

 

Os jovens já haviam encerrado a manifestação oficial, que foi pacífica e reuniu cerca de duas mil pessoas, segundo a Polícia Militar. Uma mulher não identificada tomou o microfone do carro de som e com palavras de ordem, conclamou os protestantes a seguirem até a casa do prefeito Ernane Primazzi (PSC).

 

Para chegar até lá, as cerca de mil pessoas bloquearam a rodovia e impediram a passagem de carros. A Polícia Militar e a Guarda Municipal acompanharam sem interferir. Em diversos trechos, os manifestantes sentaram na pista nos dois sentidos. Alguns motoristas avançaram com seus veículos sobre os manifestantes, mas ninguém se feriu. Os ônibus circulares também foram alvo dos protestos mas nenhum foi depredado.

 

Gritando palavras de ordem contra o prefeito, os protestantes percorreram cerca de dois quilômetros a partir do centro da cidade e acessaram o bairro Reserv du Moulin, de classe média alta e que tem características de condomínio fechado. Aos gritos de "prefeito cassado não pode se manter no cargo" e ofensas pessoais, os jovens chegaram até a residência, que estava cercada por policiais militares, civis e guardas municipais. Eles se referiam às cassações sofridas pelo prefeito em menos de 40 dias. O prefeito, que recorre da decisão judicial, não estaria na residência.

 

Um dia antes da manifestação, Primazzi e o prefeito de Ilhabela, Antonio Luiz Colucci (MD), anunciaram a redução da tarifa das linhas de ônibus em R$ 0,10. Em ambos os casos, a diminuição do valor se deve à redução dos impostos definida pelo governo federal, baseada na Medida Provisória 617, que reduz as contribuições para o PIS/Pasep e Cofins na prestação de serviços regulares de transporte coletivo.

 

 

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