Protesto provoca tumulto e pânico no Rio; PM intervém com violência

O adiamento de um concurso para guarda municipal e agente de endemias da Prefeitura do Rio de Janeiro provocou um protesto de mil pessoas hoje na principal via de acesso ao Centro, a Avenida Presidente Vargas, e causou engarrafamentos em diversos pontos da cidade. O Batalhão de Choque da Polícia Militar dissolveu a manifestação à força, com bombas de gás lacrimogênio e de efeito moral, gás paralisante e golpes de cassetete. A ação dos 90 policiais levou ao pânico quem passava pelo local, um dos mais movimentados do Rio. Duas pessoas foram presas e um homem teve um ataque epilético durante a confusão.Os manifestantes foram pedir isenção no pagamento da taxa de inscrição do concurso - R$ 50 - e se revoltaram quando souberam que uma briga judicial causara o adiamento. O Ministério Público do Estado obteve na Justiça uma liminar que concede gratuidade na inscrição em concursos públicos para desempregados e pessoas que ganham menos de três salários mínimos. A Empresa Municipal de Segurança, que administra a Guarda Municipal e é a responsável pelo concurso, informa não ser empresa pública, o que a isentaria de cumprir a liminar. Muitos estavam na fila desde a noite de quinta-feira. "Tem gente que dormiu aqui. Nós só estamos querendo trabalhar", disse Walter José da Silva, 25 anos, desempregado há seis meses. Quando foram informados de que o concurso seria adiado, eles fecharam três das quatro pistas - cada uma com quatro faixas - da avenida, onde se sentaram, por volta das 7h30. Depois de uma hora e meia de negociação inócua entre policiais do Batalhão de Trânsito e manifestantes, o Batalhão de Choque foi acionado. Os candidatos ao concurso recusaram a proposta da PM, de desocupar duas das três pistas, em meio a gritos de "fora, Cesar Maia".BrutalidadeEles cantavam o hino nacional pouco antes de o Choque iniciar a ação de dispersão. Policiais montados em motocicletas avançaram sobre os manifestantes sentados, ao mesmo tempo em que outros, armados de cassetetes e portando escudos, lançavam bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral no meio da multidão. Houve correria e confusão. Soldados desferiam golpes até em quem não participava do protesto. O cinegrafista da TV Bandeirantes, Vilson Silva, recebeu diversos golpes de cassetete nas pernas e nos braços, desferidos por um soldado identificado como Nascimento, enquanto filmava a ação. Um homem que teve ataque epilético na confusão ficou no meio da rua, até ser socorrido por populares, que o assistiram precariamente por 15 minutos. O capitão Diniz, um dos líderes da operação, ao ouvir que um rapaz estava morrendo respondeu: "Deixa morrer!"Para o comandante do Choque, coronel Sparguli, a PM não cometeu excessos. "Houve um crime, e a polícia teve de intervir." O tenente-coronel Luiz Antônio Corso, comandante do Batalhão de Trânsito, concordou e disse que foi usada "energia", mas não violência. "Tudo poderia ter sido evitado se eles tivessem saído antes para evitar atrapalhar a vida da população do Rio. Não responderam aos nossos apelos e tivemos que acionar o Choque."

Agencia Estado,

13 de setembro de 2002 | 19h26

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