Protestos e chuva - a vida de São Paulo se complica

No segundo dia de protestos, motoristas e cobradores da Viação Expresso Paulistano tiveram a chuva como "aliada" para tornar mais complicada a vida do paulistano na manhã desta terça. Choveu durante quase toda a madrugada e pela manhã havia pontos de alagamento em diversas regiões da cidade.Os motoristas tiveram de desviar da água e também do bloqueio feito por ônibus da Expresso Paulistano e da Viação Consórcio Trólebus Aricanduva, cujos funcionários aderiram nesta terça à paralisação pelo não-pagamento de salários e benefícios.Os cerca de 200 carros, vários deles com pneus furados, ficaram estacionados nos Viadutos Jacareí e 9 de Julho e em ruas próximas da Câmara. Os congestionamentos estenderam-se por toda a cidade. O momento mais crítico, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), ocorreu às 9 horas, quando foram registrados 160 quilômetros de lentidão. Os pontos mais afetados foram as Marginais do Tietê e do Pinheiros, Radial Leste e Avenida dos Bandeirantes.Já o grevista Claudemir Ribeiro dos Santos livrou-se do trânsito. Ele é cobrador do Expresso Paulistano, mora em Itaquera, zona leste, e passou a noite dentro de um dos ônibus, com a mulher, a cabeleireira Solange. Em uma rede armada no corredor, eles dormiram pouco, mas garantiram que ficariam mais tempo, se necessário. "Ficamos um pouco tensos porque a gente não sabe o que pode acontecer. Estamos defendendo nossos direitos", disse Solange.Por volta das 14 horas, a Prefeitura conseguiu liberar uma pista do Viaduto Jacareí, guinchando alguns veículos. Mesmo assim, o trânsito continuou praticamente parado, já que manifestantes permitiam apenas a passagem de carros de passeio. Alguns grevistas alegaram que não poderiam retirar os carros por falta de combustível.A São Paulo Transporte (SPTrans) providenciou o óleo diesel, mas segundo a assessoria da empresa, os grevistas não deixaram que os veículos fossem abastecidos. A SPTrans admitiu que possui um número insuficiente de guinchos para remover os ônibus. São apenas cinco equipamentos. Outros dois, da CET, estão sendo utilizados na operação.Também não há pátios suficientes. De acordo com regulamento de Sanções e Multas (Resam) da SPTrans, os ônibus utilizados no protesto infringiram três normas: deixar de operar linha (a multa prevista é de R$ 290 por linha); descumprimento de partidas (multa de R$ 58 a R$ 174); e usar veículo vinculado ao serviço, para fins de outra natureza (multa de R$ 290, por carro). A Prefeitura ainda não sabe se aplicará as sanções.O repórter do Estado Moacir Assunção sofreu ameaças - até de uma "estiletada" - de motoristas em greve na frente da Câmara. A alegação dos grevistas, que encurralaram Assunção e a repórter do Jornal da Tarde Aryane Carraro dentro de um ônibus, é de que ele teria denunciado à polícia grevistas que furavam pneus, nesta segunda-feira, em protesto na frente da Prefeitura.Pelo menos 30 integrantes do sindicato dos condutores cercaram o ônibus e ameçaram bater no repórter. Se não fosse a intervenção de diretores do sindicato, o repórter teria sido agredido. Até mesmo o presidente da entidade representativa da categoria, Edivaldo Santiago, teve de ser chamado. "Vou te matar. Você vai levar uma estiletada", disse um dos mais exaltados.

Agencia Estado,

26 de novembro de 2002 | 22h49

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