Protestos esparsos têm os políticos como alvo

Convocadas por redes sociais, caminhadas reúnem 20 mil em Brasília e grupos menores em 18 cidades, em defesa da Ficha Limpa e do voto aberto

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

13 Outubro 2011 | 03h04

Com a adesão de 20 mil pessoas em Brasília e passeatas menores em 18 cidades - entre elas Rio, Curitiba, Salvador e Recife - a Marcha contra a Corrupção voltou às ruas, no feriado de ontem, com faixas e cartazes contra políticos e pedidos em favor da Ficha Limpa.

Na capital federal, a Polícia Militar (PM) calculou primeiro em 13 mil e depois elevou para 20 mil pessoas a estimativa dos participantes, que percorreram a Esplanada dos Ministérios, entre o Museu da República e o Ministério do Exército. Os três pontos principais do movimento são a regulamentação da Ficha Limpa pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a aprovação do projeto de lei que estabelece o voto aberto dos parlamentares no Congresso, e a preservação dos poderes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) de órgão de controle externo do Judiciário. Mesmo recalculando para mais o total de participantes, a marcha em Brasília foi menor que a anterior, de 7 de Setembro, quando foram contabilizadas 25 mil pessoas.

Em São Paulo, um grupo calculado em mil pessoas caminhou pela Avenida Paulista, a partir do Masp, e em seguida desceu a rua da Consolação, terminando a manifestação no Teatro Municipal. Um homem que não participava do protesto foi detido, por quebrar o vidro de uma lanchonete. A CET não precisou interditar nenhuma rua.

Vassouras. No Rio, a iniciativa mobilizou cerca de 2 mil pessoas, que empunharam cartazes e vassoura na orla de Copacabana. "Nós mobilizamos as pessoas pelas redes sociais. Já é a terceira passeata aqui no Rio", contou a empresária Cristine Maza. Além do fim do voto secreto no Congresso, os organizadores correram listas para um projeto de lei que transforme a corrupção em crime hediondo.

Perto de 500 pessoas foram à Praça da Liberdade, em Belo Horizonte, para uma caminhada que se dirigiu à Praça Sete, no centro da cidade. Além de discursos e dos cartazes pela Ficha Limpa e o fim do voto secreto no Congresso, foi pedido que os corruptos devolvam os recursos desviados.

Na manifestação de Salvador, cerca de mil pessoas, na maioria universitários, participaram da caminhada entre a Barra e Ondina, onde reside o Jaques Wagner. Com faixas, cartazes, narizes de palhaço e as cores da bandeira brasileira pintadas nos rostos, os manifestantes gritaram palavras de ordem e cantaram o Hino Nacional. Havia juízes vestindo camisetas pretas com os dizeres "Magistrados indignados com a corrupção".

Em Curitiba, o protesto reuniu aproximadamente 500 pessoas, que seguiram pela rua 15 de Novembro até a Boca Maldita. Um grupo, que se chamou de Anonymous, desfilou com máscaras. Faixas pediam o fim do voto secreto e a tipificação do enriquecimento ilícito como crime penal. No Recife, o protesto reuniu 150 pessoas, que caminharam por dois quilômetros da Avenida Beira Mar. / CÉLIA FROUFE, PRISCILA TRINDADE, DANIELA AMORIM, ANGELA LACERDA, TIAGO DÉCIMO, EVANDRO FADEL

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