Protestos lembram aniversário da chacina da Baixada Fluminense

A chacina da Baixada Fluminense completará um ano na sexta-feira e, para marcar a data, cerca de 150 pessoas saíram ontem às ruas de Nova Iguaçu, um dos cenários do crime, para clamar por paz e justiça. A manifestação ocorreu debaixo de chuva forte. Reuniu não só as famílias das 29 vítimas, mas também parentes de outras pessoas assassinadas na região, além de religiosos, representantes dos governos federal, estadual e da prefeitura local e de entidades civis.Quem perdeu filho, marido ou irmão na tragédia não se conforma com o fato de os assassinos, policiais militares, terem executado inocentes sem lhes dar qualquer chance de defesa. "Meu menino tinha 13 anos e morreu como um bicho", disse Maria Helena Soares Carlos, de 38 anos, mãe de Felipe Soares Carlos. Ela está desempregada e cria os outros seis filhos com auxílio da prefeitura de Nova Iguaçu: cesta básica e bolsa de R$ 300. "Preferia Felipe vivo a ganhar essa ajuda." Maria Helena espera que os sete policiais presos pelas mortes e também por formação de quadrilha - onze foram denunciados pelo Ministério Público, mas a Justiça já inocentou quatro deles, porque ficou comprovado que eles não tiveram envolvimento no crime - sejam condenados à pena máxima. Eles irão a júri popular ainda este ano. "Estou ansiosa para que marquem logo o julgamento. Acompanho tudo de perto desde o início", contou Kátia Patrícia da Silva, de 31 anos, que perdeu o irmão, Marcus Vinicius Sipriano, que tinha 15 anos, e o primo Francisco José da Silva Neto, de 34. Eles moravam no município de Queimados. Silva Neto deixou um filho de quatro meses. "No aniversário de um ano dele, colamos uma foto do pai na parede, na hora do parabéns, para que ele também estivesse na festa. Não tem coisa mais triste", lembrou Kátia.O ato começou na Via Light. Em seguida, os manifestantes saíram em passeata até chegar ao Sesc de Nova Iguaçu, onde estava sendo realizado o Fórum Mundial de Educação. O movimento foi organizado pela Diocese do município e entidades de defesa dos direitos humanos. Estiveram presentes o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, e representantes das secretarias de direitos humanos do Estado e do governo federal. Na sexta-feira, serão celebradas missas em Nova Iguaçu e em Queimados.

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