Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Protestos no Rio e em Porto Alegre têm confrontos e prisões

Manifestantes protestavam contra o aumento da tarifa nas duas cidades

14 Junho 2013 | 16h01

RIO E PORTO ALEGRE - Além de São Paulo, houve confusão em manifestações contra o aumento da tarifa no Rio e em Porto Alegre na noite de quinta-feira, 13. No centro do Rio, o segundo protesto na semana começou às 17 horas e transcorreu sem grandes problemas até as 20h30. Nesse momento, porém, quando o público já se dispersava, um pequeno grupo de manifestantes, composto por integrantes da Frente Internacionalista dos Sem-Teto, por anarcopunks e simpatizantes do Movimento Estudantil Popular Revolucionário, decidiu interditar a Avenida Presidente Vargas, no cruzamento com a Rio Branco, sentando na via. Para impedir a aproximação da polícia, sacos de lixo foram incendiados.

A PM lançou bombas de gás lacrimogêneo e de pimenta e houve confronto. Pelo menos duas pessoas ficaram feridas: um rapaz atingido por uma bala de borracha e um policial. Pelo menos 18 pessoas foram detidas. A confusão só foi controlada às 22h30.

Os manifestantes usaram um carro de som para fazer discursos contra o aumento da tarifa (que subiu de R$ 2,75 para R$ 2,95 no dia 1º de junho). "Acabou o amor, isso aqui vai virar a Turquia" foi uma das frases mais repetidas. O prefeito Eduardo Paes (PMDB) foi insistentemente chamado de "bosta", adjetivo usado por um músico que acabou brigando com Paes em um restaurante no dia 26 de maio.

A caminhada pela Avenida Rio Branco começou às 18h05 e seguiu pacificamente. Quando um manifestante disparou um rojão, o público vaiou. Ao ver manifestantes subirem em bancas de jornal, os líderes pediram, pelo microfone, que eles descessem. Mas não evitaram que várias fachadas, bancas e abrigos de ônibus fossem pichados com críticas ao aumento da tarifa, ao prefeito e ao governador Sérgio Cabral (PMDB).

Muitos comerciantes preferiram fechar as portas de suas lojas antes da passagem da multidão. Uma lanchonete que funciona até as 21h fechou às 18h30. Uma drogaria que ficaria aberta até as 23h encerrou o atendimento às 18h45. Como a Rio Branco ficou interditada, quem dependia de ônibus ficou sem transporte e teve que recorrer ao metrô. A estação Carioca ficou superlotada. "Não vou conseguir chegar à faculdade hoje, mas aposto que nem os professores", disse a estudante Mariana Macedo, 23 anos, funcionária de uma loja de roupas e aluna de Arquitetura numa universidade da zona sul.

Durante a manifestação, uma equipe de reportagem da Rede Globo foi hostilizada e perseguida por cerca de 30 manifestantes, que atiraram lixo contra o repórter e o cinegrafista. Na rua 1º de Março, um homem foi atingido por uma pedra e ficou ferido na cabeça.

Sul. Em Porto Alegre, a manifestação contra o aumento das tarifas do transporte teve pichações, depredações, pelo menos um confronto entre participantes do protesto e policiais militares e 18 prisões na noite dessa quinta-feira. O grupo se reuniu diante do prédio da prefeitura, percorreu ruas centrais e seguiu para o bairro Cidade Baixa, acompanhado de perto por policiais militares a cavalo. No trajeto, escreveu "passe livre" e "R$ 2,60" em muros e fachadas, mostrando o preço que admite pagar pela passagem de ônibus da capital gaúcha. Alguns participantes atiraram pedras contra vidraças de agênciasbancárias e edifícios comerciais.

A tarifa de Porto Alegre chegou a ser reajustada para R$ 3,05 em março, mas o valor vigorou por poucos dias e teve de voltar a R$ 2,85 por determinação da Justiça. Nesta quinta-feira o Tribunal de Contas do Estado determinou que a prefeitura mantenha tal preço. Os manifestantes entendem que a tarifa deve ser baixada para R$ 2,60 porque houve desoneração de impostos federais sobre componentes usados para formar ocusto do transporte coletivo. (Fábio Grellet

Felipe Werneck, Heloísa Aruth Sturm e Elder Ogliari)

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