EFE / Antonio Lacerda
EFE / Antonio Lacerda

Após assassinato em Porto Alegre, protestos pelo Brasil pedem boicote à rede Carrefour

Manifestações ocorreram neste domingo em frente a lojas da empresa; cartazes também exaltaram movimentos como o Black Lives Matter

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2020 | 22h50

Diversas manifestações contra o racismo ocorreram neste domingo, 22, em frente a estabelecimentos do grupo Carrefour de todo o Brasil para protestar contra a morte do homem negro espancado até a morte por seguranças brancos em uma loja da rede de supermercados em Porto Alegre, na véspera do Dia da Consciência Negra. No Rio, manifestantes também se reuniram em um shopping onde fica um dos supermercados do grupo francês. Em outras cidades do país, como Salvador e Santos, dezenas de pessoas também se manifestaram pedindo boicote à rede.

Manifestantes cariocas carregavam faixas com os dizeres "Carrefour assassino" ou "Vidas negras importam", slogan do movimento Black Lives Matter, que promoveu grandes protestos nos Estados Unidos após a morte de George Floyd, negro que foi sufocado por um policial branco em maio deste ano. 

Numa série de tweets publicados em português, o CEO do Carrefour, Alexandre Bompard, lamentou o episódio na tarde de sexta-feira, após classificar o ato como "horrível" e as imagens como "insuportáveis". O executivo solicitou ainda uma revisão completa das ações envolvendo a formação de colaboradores e terceirizados em questões de segurança, respeito à diversidade, valores de respeito e repúdio à intolerância.

“Não aceitamos mais pedidos de desculpas, eles nos prometeram medidas, mas até agora não vimos nada”, denunciou Djefferson Amadeus, coordenador do Instituto de Defesa do Povo Negro, que se manifestou hoje, no Rio. "Não vamos nos calar enquanto eles continuam matando nosso povo. Isso mostra que o racismo ainda está muito presente no Brasil, não só no supermercado, mas também nas favelas”, acrescentou Thais dos Santos, 23, durante uma das manifestações.

No sábado, 21, o presidente brasilero Jair Bolsonaro criticou os movimentos contra o racismo, a quem acusou durante seu discurso na cúpula virtual do G20 de tentar importar para o Brasil "tensões que não fazem parte de sua história". /AFP

 

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