Tiago Queiroz/AE
Tiago Queiroz/AE

Protestos reúnem 230 mil em 12 capitais e governantes viram alvo

Ao menos 50 mil marcharam só em São Paulo e grupo tentou invadir o Palácio dos Bandeirantes; no Rio, 100 mil foram às ruas e, em Brasília, Congresso teve cúpula ocupada

O Estado de S. Paulo

18 de junho de 2013 | 00h42

SÃO PAULO - Uma nova onda de protestos, maior do que as anteriores e com um leque de reivindicações mais amplo, voltou a tomar conta das ruas de importantes cidades, em diferentes regiões, nessa segunda-feira, 17. A maior, em São Paulo, reuniu ao menos 50 mil pessoas, segundo estimativa da PM. Foi a quinta na capital paulista e a primeira sem confrontos abertos com a polícia. No final da noite, um grupo minoritário tentou invadir o Palácio dos Bandeirantes e foi repelido com bombas de gás. Em todo o País, cerca de 230 mil pessoas foram às ruas. As marchas foram caracterizadas sobretudo por expressões de rejeição da política institucional.

Em Brasília, manifestantes furaram o bloqueio policial e invadiram a área externa do Congresso, aos gritos de "o Congresso é nosso". Cartazes com os dizeres "Fora Renan" e "Fora Feliciano" apareceram no ato, referindo-se ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-RN), e ao presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, o pastor evangélico Marco Feliciano (PSC-SP).

No Rio, 100 mil pessoas se reuniram nas imediações da Assembleia Legislativa, que virou palco de um violento confronto. Pelo menos cinco PMs e sete manifestantes foram feridos - 1 deles a tiros -, e 77 PMs ficaram sitiados no Palácio Tiradentes.

Transparência e combate à corrupção foram exigências levadas às ruas em Porto Alegre. Em Belém, a cobrança de redução dos índices de criminalidade na cidade, uma das mais violentas do mundo, apareceu com destaque.

Curitiba, Belo Horizonte, Salvador e Maceió também registraram manifestações de rua. Os protestos se estenderam ainda para cidades do interior, como Londrina, no Paraná.

Foram registrados confrontos com a polícia em Porto Alegre, Belo Horizonte, Rio e São Paulo. De maneira geral, os atos violentos envolveram pequenos grupos e ocorreram no fim dos protestos.

Insatisfeitos. O ponto de ligação entre os manifestantes nas diferentes cidades continuou sendo o protesto contra as tarifas dos transportes urbanos. Os repórteres do Estado verificaram, porém, que aumentou a variedade de grupos de insatisfeitos que aderiram aos protestos, com novas demandas.

A crítica à violência policial foi uma questão frequente. Os gastos do governo federal com a Copa do Mundo também estiveram entre os alvos. A caminhada em Salvador cobrou melhorias nos sistemas de educação e saúde pública.

Os participantes receberam demonstrações de simpatia dos moradores das ruas por onde passavam em diferentes cidades. Em São Paulo, na Avenida Brigadeiro Faria Lima, pessoas saíram às janelas dos edifícios comerciais para aplaudir e jogar papel picado sobre a passeata. Em Belo Horizonte, motoristas improvisaram um buzinaço de solidariedade.

Defensores do meio ambiente, feministas, organizações de direitos humanos, professores, e pais de manifestantes presos em atos anteriores foram alguns dos grupos que aderiram aos protestos.

A quinta manifestação contra o aumento da tarifa em São Paulo, embora tenha terminado com o confronto na sede do governo, não registrou a mesma violência das anteriores. Um pouco antes da passeata, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) havia confirmado que a PM dessa vez não usaria balas de borracha.

Bombas de gás lacrimogêneo, comuns nas manifestações anteriores, também foram recolhidas.

Hora de entender. Políticos de diferentes tendências se manifestaram sobre os protestos, defendendo o direito dos manifestantes. A presidente Dilma Rousseff disse que as manifestações são "legítimas e próprias da democracia".

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) criticou os dirigentes públicos que qualificam os manifestantes como baderneiros. "Os governantes e as lideranças do País precisam atuar entendendo o porquê desses acontecimentos", disse. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que manifestações sociais não devem ser encaradas como "coisa de polícia". ARTUR RODRIGUES, BRUNO PAES MANSO, BRUNO RIBEIRO, BRUNO DEIRO, DIEGO ZANCHETTA, GIOVANA GIRARDI, LUCIANO BOTTINI FILHO, OCIMARA BALMANT e TIAGO DANTAS

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