Protógenes nega ter vazado a Satiagraha

Mentor da operação federal que prendeu o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, acredita em absolvição

Fausto Macedo, O Estado de S.Paulo

04 de maio de 2010 | 00h00

O delegado federal Protógenes Queiroz, mentor da Operação Satiagraha, afirmou ontem que não teve responsabilidade pela divulgação de informações sigilosas da investigação sobre supostos crimes de evasão de divisas e lavagem de dinheiro envolvendo o banqueiro Daniel Dantas, do Grupo Opportunity.

"As provas conduzem para elementos de fora da operação", ele disse, na porta do Fórum Federal em São Paulo, sem citar nomes.

Protógenes é réu em ação penal aberta pela 7.ª Vara Criminal Federal com base em denúncia da Procuradoria da República. Ele é acusado formalmente por vazamentos de informações e fraude processual, crimes que teria cometido na condução da Satiagraha que levou à condenação de Dantas a 10 anos de prisão por corrupção ativa - o banqueiro nega o crime. Ontem, o delegado deveria ser interrogado, mas a audiência foi adiada porque o diretor geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, última testemunha arrolada pela defesa, não pode comparecer por incompatibilidade de agenda.

O juiz Ali Mazloum, titular da 7.ª Vara, só poderá tomar o depoimento de Protógenes depois de ouvir todas as testemunhas. Mazloum remarcou o interrogatório do criador da Satiagraha para o próximo dia 24. A assessoria do chefe da PF informou que ele irá ao fórum na próxima data.

"Não teve vazamento da minha parte e nem por parte de nenhum de meus subordinados", declarou Protógenes, à saída do prédio da Justiça. Além dele, é réu no mesmo processo o escrivão Amadeu Ranieri, braço direito de Protógenes.

O delegado está convencido de que não será condenado. "Não existem elementos para minha condenação, seria uma surpresa. As provas apontam para a minha absolvição."

Arapongas. A Polícia Federal investigou a conduta de Protógenes na Satiagraha e concluiu que ele recrutou mais de cem arapongas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para realização de diligências, inclusive escutas telefônicas.

Para a PF, a participação de integrantes da Abin em apuração de sua competência é ilegal. O Ministério Público Federal avalia que não houve irregularidades na medida.

O juiz Mazloum chegou a encaminhar o caso à Procuradoria Geral da República para eventual oferecimento de denúncia contra Protógenes e contra o ex-diretor geral da Abin, Paulo Lacerda, por usurpação de função pública. "A Abin atuou à margem da legalidade, informal e clandestinamente", concluiu o juiz. Mas a procuradoria geral não entendeu assim e não pediu processo.

Filiado ao PC do B desde o ano passado, Protógenes está em campanha e tem subido frequentemente ao palanque de Lula e Dilma, pré-candidata à Presidência.

No dia 1.º de maio o delegado federal participou de praticamente todos os eventos relativos ao Dia do Trabalho nos quais o presidente e a ex-ministra chefe da Casa Civil estiveram. Protógenes disse que ainda não definiu se vai concorrer à uma vaga no Senado ou na Câmara.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.