PSB age para abortar candidatura Ciro

Partido articula com Planalto para promover encontro entre Lula e deputado a fim minimizar danos e, assim. garantir apoio a Dilma

Eugênia Lopes e Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2010 | 00h00

A cúpula do PSB iniciou articulação com o Palácio do Planalto para abortar a pré-candidatura à Presidência da República do deputado Ciro Gomes (CE). A ideia é promover um encontro entre ele e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para minimizar danos e, dessa forma, garantir o apoio do deputado à candidatura da petista Dilma Rousseff.

O Planalto teme que, uma vez rifado pelo próprio partido com o patrocínio do governo, Ciro saia atirando.

"O apoio do Ciro para a Dilma é muito importante", resumiu ontem o líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP).

Coube ao presidente nacional do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, a missão de encontrar a saída menos traumática para sacramentar a desistência de Ciro da disputa presidencial. Campos, que estava ontem à noite em Brasília para participar de jantar com o presidente Lula em comemoração aos 50 anos da cidade, pretendia conversar com um grupo de socialistas sobre o futuro da candidatura de Ciro.

Ciro passou o dia de ontem em Brasília, mas não apareceu na Câmara nem procurou seus colegas de bancada. Na noite anterior, o deputado jantou com a família em um restaurante badalado da capital federal.

Batendo o martelo. A Executiva do PSB se reúne na terça-feira para bater o martelo sobre futuro da candidatura de Ciro. Uma das hipóteses é que o partido apoie informalmente a candidatura de Dilma, a exemplo do que ocorreu em 2006. Sem a aliança formal, o PT não teria o tempo de TV do PSB.

Em troca da desistência de Ciro, o PSB espera ganhar contrapartidas nos Estados. Os socialistas querem que, em alguns locais, o PT apoie seus candidatos ao governo do Estado. É o caso do Piauí, onde o governador Wilson Martins é candidato à reeleição, mas parte do PT no Estado defende a candidatura própria.

No Amapá, o PSB vai lançar Camilo Capiberibe, filho do senador cassado João Capiberibe. O PT estuda apoiar o candidato do PP ou do PTB.

"Se dessem uma demonstração de boa vontade em alguns locais facilitaria", reconheceu o secretário-geral do PSB, senador Renato Casagrande (ES).

Candidato ao governo do Espírito Santo, o senador se resignou com a decisão do PT em apoiar a candidatura de Ricardo Ferraço, do PMDB. Mas gostaria que a ex-ministra Dilma Rousseff também subisse em seu palanque no Estado. "Não é só uma questão de alianças", argumentou Casagrande.

O PT apoia o PSB como cabeça de chapa em três Estados: a reeleição dos governadores Cid Gomes, do Ceará, e Iberê Ferreira, do Rio Grande do Norte, além de Eduardo Campos. Nos Estados onde há aliança entre o PT e o PSB, os socialistas são contrários à candidatura de Ciro Gomes à Presidência da República.

Artigo explosivo. A pretensão de Ciro se candidatar à sucessão de Lula perdeu força dentro do próprio PSB depois do artigo do deputado, na quinta-feira passada, em que atacou o partido. "O artigo dele criou um constrangimento para o partido", disse Casagrande. Desde então, o deputado mantém-se isolado, comunicando-se apenas por meios eletrônicos, como o Twitter.

Online

Ciro Gomes comentou em seu Twitter a luta para se manter candidato a presidente. "Muito obrigado pela força! Mais de 3 mil manifestações de apoio postadas. Sigo lutando!", escreveu.

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