Clemilson Campos/JC Imagem
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PSB cobiça os mesmos ministérios que PMDB

Mais forte após eleger seis governadores, partido quer pastas com mais capilaridade para aumentar a interlocução no Nordeste e Norte

Malu Delgado, O Estado de S.Paulo

03 Novembro 2010 | 00h00

O PSB começa a discutir hoje a força política e o papel que terá no governo de Dilma Rousseff (PT) disposto a um embate com o PMDB. Com base na nova estatura do partido, que elegeu seis governadores, dirigentes e parlamentares não escondem que vão pleitear os Ministérios das Cidades e da Integração Nacional, desejados por peemedebistas.

A reivindicação do PSB justifica-se pela grande capilaridade de ambos os ministérios e por seus polpudos orçamentos. À frente de seis governos, a maioria no Nordeste - Eduardo Campos (PE), Cid Gomes (CE), Renato Casagrande (ES), Camilo Capiberibe (AP), Wilson Martins (PI), e Ricardo Coutinho (PB) -, o partido quer comandar pastas em que o contato com os Estados e municípios e a formulação de políticas públicas fique em maior evidência.

Os governadores eleitos têm, ainda, forte influência sob as respectivas bancadas no Congresso, o que aumenta o poder de pressão do PSB. Em outras palavras, os ministérios aumentariam a projeção política da sigla, pois comandam convênios populares, como o Minha Casa, Minha Vida. O Ministério da Integração, por exemplo, é vital para o Nordeste, área em que o PSB quer ampliar a projeção.

Eduardo Campos, presidente da legenda e governador de Pernambuco, é um dos nomes que o partido cogita preparar para alçar voos mais ousados em 2014, como uma disputa presidencial. As pretensões futuras dos partidos também vão moldar a formulação do novo governo.

Pelas mesmas razões o PMDB quer comandar os dois ministérios. Há até sondagens feitas dentro do próprio PT. O ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, derrotado na eleição para o Senado em Minas Gerais, já apareceu como cotado para Cidades por petistas. A avaliação no PT é que não há espaço para Pimentel na equipe econômica num futuro governo.

Eduardo Campos foi chamado para uma conversa hoje à noite em Brasília com o presidente do PT, José Eduardo Dutra.

"Vamos ouvir primeiro como Dilma está imaginando a formação do governo, saber os perfis. Nossa posição de apoio nunca se deu em função de cargos e, no governo Lula, ajudamos nos lugares onde participamos", afirmou Campos, que se recusa a antecipar nomes da sigla.

Encarregado pela futura presidente de receber os "pacotes" dos partidos, Dutra pretende traçar um perfil das demandas e apresentar um quadro mais completo a Dilma assim que ela retornar das viagens internacionais com o presidente Lula a Moçambique e Coreia do Sul.

"Fiquei muito satisfeito com o discurso da presidente eleita quando falou sobre profissionalização do governo. Isso soou como música para nossos ouvidos", diz Eduardo Campos. Questionado se a intenção do partido é indicar nomes mais técnicos, ele justifica: "Indicaremos pessoas com histórico administrativo. Não queremos criar nenhum tipo de constrangimento para Dilma e é ela quem definirá o perfil de seu ministério." O ex-ministro da Integração, Ciro Gomes, não está entre os cotados do PSB para o ministério.

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