PSB começa a negociar retirada de Ciro

Desistência do deputado vira moeda de troca na negociação com o PT nos Estados

Eugênia Lopes / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2010 | 00h00

A cúpula do PSB começa hoje as negociações para a retirada da pré-candidatura do deputado Ciro Gomes da corrida presidencial. A pretexto de participar de comemoração pelos 50 anos de Brasília, o governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, deve desembarcar na capital para um conversa com Ciro.

Daqui a uma semana, dia 27, a Executiva Nacional do PSB pretende bater o martelo sobre a candidatura de Ciro à sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva. Na contabilidade do PSB, a renúncia de Ciro pode virar moeda de troca na negociação com o PT em alguns estados.

"Temos de atender o apelo do Ciro e resolver logo isso. Existem vários diretórios do partido nos Estados que estão parados à espera de uma solução", afirmou o vice-presidente nacional do PSB, Roberto Amaral. A candidatura de Ciro, que já dividia o partido, perdeu força nos últimos dias após nota do deputado pressionando o PSB a decidir seu futuro. A avaliação de parte da cúpula do partido é que a nota de Ciro foi "grosseira" e "deselegante".

Amaral negou, porém, que o partido esteja "negociando" com o PT a retirada da candidatura de Ciro Gomes, em troca do apoio de petistas em alguns Estados. "Não existe isso. Até porque o PT tem muito pouco a oferecer hoje ao PSB", disse.

Em Estados como a Paraíba e o Espírito Santo, o PT já avisou que não vai apoiar os socialistas. Na Paraíba, o PSB lançou na disputa o ex-prefeito Ricardo Coutinho, que deverá contar com o apoio do PSDB. O PT, por sua vez, decidiu ficar com o ex-governador Ronaldo Lessa, hoje no PDT. No Espírito Santo, o senador Renato Casagrande também perdeu as esperanças de ter o PT em seu palanque. Os petistas vão ficar com Ricardo Ferraço, do PMDB.

Em São Paulo, uma possível aliança PSB e PT é hoje inviável. Mas os socialistas almejam que o PT não breque o apoio de partidos, como o PP, à candidatura de Paulo Skaf (PSB) ao governo de São Paulo. O PT vai disputar o governo paulista com o senador Aloizio Mercadante.

Apoio do PT. Há situações, porém, em que o PSB espera reverter o quadro político local e conseguir que apoio do PT para seu candidato. Os socialistas ainda não perderam as esperanças de virem os petistas apoiar Camilo Capiberibe ao governo do Amapá e a reeleição do governador do Piauí, Wilson Martins. PT e PSB conseguiram chegar a um entendimento em Brasília, onde o ex-ministro petista Agnelo Queiróz será candidato a governador e o socialista Rodrigo Rollemberg disputará o Senado.

A avaliação de parte da cúpula do PSB é que a candidatura de Ciro perdeu densidade com a polarização da eleição presidencial entre a petista Dilma Rousseff e o tucano José Serra. Um dos sinais para dirigentes do partido de que Ciro teria refluído em sua candidatura à presidência foi o fato de Pedro Brito, ministro da Secretaria Especial dos Portos, não ter se desincompatibilizado, no início de abril, para disputar uma vaga na Câmara. Brito é ligado a Ciro Gomes - foi seu secretário executivo no Ministério da Integração Nacional, no primeiro mandato de Lula.

Com a provável saída de Ciro do páreo, o PSB fica livre para apoiar formalmente a candidatura do PT. A dúvida é se Ciro participará ativamente da campanha de Dilma. Correligionários apostam que ele deverá dedicar-se à reeleição de seu irmão Cid Gomes ao governo do Ceará e à eleição de sua ex-mulher Patrícia Saboya para a Câmara.

A queda nas pesquisas de intenção de voto em Ciro - pela primeira vez atrás da pré-candidata Marina Silva (PV- AC), não vai influenciar na decisão do partido. "Não é de assustar essa queda. É até natural", disse Amaral. Marina aparece com 10% na pesquisa Datafolha contra 9% de Ciro.

PSB X PT: CONFLITO NOS ESTADOS

Alagoas

O PSB apoia o tucano Teotônio Vilela. O PT deve apoiar Ronaldo Lessa, do PDT

Amapá

O PSB vai lançar Camilo Capiberibe. O PT estuda apoiar o candidato do PP ou do PTB

Amazonas

Serafim Correa é o candidato do PSB. O PT apoia o ex-ministro Alfredo Nascimento, do PR

Ceará

PT apoia, por enquanto, a reeleição do socialista Cid Gomes. Mas a aliança corre o risco de ser desfeita

Espírito Santo

O PSB quer lançar Renato Casagrande para o governo. O PT vai apoiar Ricardo Ferraço, do PMDB

Mato Grosso

O empresário Muro Mendes é o pré-candidato do PSB ao governo. O PT deve apoiar o PMDB

Minas Gerais

O PSB deve apoiar o tucano Antônio Anastasia. O PT deve ficar com o senador Hélio Costa, do PMDB ou ter candidato próprio

Pará

O PSB ameaça não apoiar a petista Ana Júlia Carepa

Paraíba

Ricardo Coutinho é candidato pelo PSB. O PT fez aliança para reeleger José Maranhão (PMDB)

Paraná

O PSB deve apoiar o tucano Beto Richa. O PT quer lançar Gleisi Hoffmann ao Senado na chapa encabeçada com o PDT, que quer Gleisi como vice

Piauí

O governador Wilson Martins, do PSB, é candidato à reeleição. Parte do PT no Estado defende a candidatura própria

Rio Grande do Sul

O deputado Beto Albuquerque (PSB) quer disputar o governo. O ex-ministro Tarso Genro é o candidato do PT

São Paulo

O PSB lançou Paulo Skaf para o governo. O PT vai disputar a vaga com Aloizio Mercadante

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