PSB encolhe sob Dilma após Ciro ser preterido na Saúde e perder para o PT

O deputado Ciro Gomes (PSB-SP) não integrará o governo Dilma Rousseff e a cota de poder de seu partido, o PSB, foi fixada em apenas dois ministérios - Integração Nacional e a nova pasta de Portos e Aeroportos -, e não mais em três pastas, como pedira a cúpula da legenda, que apoiou a presidente eleita na campanha eleitoral deste ano.

Christiane Samarco / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2010 | 00h00

"O Ciro sempre registra que gosta muito da Dilma, que está torcendo por ela e estará às ordens para contribuir, mas que, por ora, não deverá assumir um ministério", disse ontem ao Estado o governador do Ceará, Cid Gomes (PSB). O irmão de Ciro reuniu-se em Brasília com Dilma e com o futuro ministro da Casa Civil, Antonio Palocci (PT).

O governador não quis dar detalhes da conversa, mas um dos dirigentes do PSB que também participou da reunião com Dilma e Palocci revelou o motivo da desistência de Ciro. Na origem, a percepção de "rebaixamento" político. "Ele aceitaria o desafio da Saúde, mas, como essa pasta já está compromissada, Ciro não quis voltar para a Integração Nacional."

Ciro comandou a Integração Nacional no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Neste ano, foi convencido pelo próprio presidente a desistir de concorrer à Presidência em prol de Dilma. Em troca, cacifou-se para ocupar um ministério do novo governo.

A reunião da cúpula do PSB com a presidente eleita ontem durou cerca de uma hora e meia. Dilma deixou claro que a Saúde já estava "comprometida" com o petista Alexandre Padilha e não havia condição política de aumentar a fatia do PSB no governo. Alegou que era necessário haver "um equilíbrio" na representação dos partidos aliados na Esplanada dos Ministérios e lembrou também que precisava de mais espaço para acomodar os pleitos do próprio PT. No entanto, o PSB ainda pode levar a eventual pasta da Pequena e Microempresa, que Dilma quer criar.

Ciro ainda deixou em aberto a possibilidade de participar do governo no futuro. "Ele até se reserva para eventualmente colaborar com o governo mais adiante, em outra oportunidade", disse o governador cearense.

A saída de cena de Ciro, no entanto, não produziu a solução esperada pelo PSB, embora sua decisão tenha facilitado o entendimento da sigla com Dilma. Sem o deputado no páreo, ficou acertado que a legenda ficará com duas vagas na Esplanada, mas que um técnico, e não um político, ocupará a futura área de Portos e Aeroportos.

Para a Integração Nacional, o presidente do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, indicou o ex-prefeito de Petrolina Fernando Bezerra Coelho. Mas a bancada do partido na Câmara dos Deputados não será atendida por Dilma.

Para Portos e Aeroportos, o governo planeja nomear um gestor e até o início da noite o PSB ainda não havia fechado um entendimento em torno de quem teria o perfil mais adequado para atender às exigências do Planalto.

"Temos um passivo na bancada e vamos resolver isso com diálogo. Portos e Aeroportos é uma área que requer muito conhecimento técnico e nós achamos que é importante ter um gestor nessa área para buscar resultados rápidos, sem pôr em risco a realização da Copa do Mundo de 2014", disse um dirigente do PSB.

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