PSB enterra candidatura de Ciro, por 21 votos a 2

Direção do partido se reúne no dia 17 de maio para formalizar apoio a Dilma

Eugênia Lopes, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2010 | 00h00

Por 21 votos a favor e dois contra, os integrantes da Executiva Nacional do PSB decidiram ontem impedir a candidatura do deputado Ciro Gomes (CE) à Presidência. A maioria dos diretórios estaduais do partido - 20 do total de 27 - também se posicionou contra a candidatura própria.

 

 

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A direção do PSB se reúne no próximo dia 17 para formalizar o apoio à candidatura da petista Dilma Rousseff à sucessão do presidente Lula. "O apoio a Dilma é o caminho natural", afirmou ontem o presidente nacional do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos.

Antes da oficialização do apoio à candidatura da petista, as direções do PSB e do PT se encontram na próxima terça-feira para acertar a aliança em torno da petista. "Não vamos fazer desse gesto uma permuta. Agora essa decisão do partido pode vir a ajudar a conjuntura nos Estados", reconheceu Campos.

Uma hora após o anúncio oficial da retirada de sua candidatura, Ciro divulgou nota em seu site baixando o tom das críticas ao partido e garantindo que seguirá a determinação do PSB. "Ao rei tudo, menos a honra", diz o título da nota, que considera "um erro tático" o PSB não ter candidato próprio à Presidência.

"Não é hora mais, entretanto, de repetir os argumentos claros e já tão repetidos e até óbvios. É hora de aceitar a decisão da direção partidária. É hora de controlar a tristeza de ver assim interrompida uma vida pública de mais de 30 anos dedicada ao Brasil e aos brasileiros e concentrar-me no que importa: o futuro de nosso país!", escreveu.

Em troca da retirada de Ciro da corrida presidencial, o PSB espera obter apoio do PT para eleger seus candidatos a governos estaduais. O partido tem 10 candidatos a governador e espera duplicar sua bancada na Câmara - hoje com 27 deputados - e eleger pelo menos cinco senadores nas eleições de outubro. "Definindo o nosso apoio a Dilma não vamos aceitar discriminação em relação aos nossos candidatos", reiterou Campos.

Minoria. Na reunião da Executiva, apenas o ex-senador Ademir Andrade (PA) e o ex-deputado José Antonio (MA) votaram pela manutenção da candidatura de Ciro à Presidência. "Não estou convencido de que esta foi a melhor solução, mas foi seguir a determinação do partido", disse José Antonio que, em 2002, foi candidato à vice-presidente na chapa encabeçada por Anthony Garotinho. Sete diretórios estaduais foram favoráveis à candidatura própria do PSB: Maranhão, Rio Grande do Sul, Rondônia, Pará, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Ceará. Os 20 restantes se posicionaram contra.

Encontro. Mal terminou a votação que implodiu a candidatura de Ciro, Campos e o vice-presidente do PSB, Roberto Amaral, telefonaram para o deputado para avisá-lo da derrota acachapante. Numa tentativa de prestigiar Ciro, os dois decidiram ir ao Rio para encontro pessoal com o deputado. "Queremos preservá-lo em todos os sentidos. Queremos protegê-lo", resumiu Amaral. "Não vamos pedir a ele que se empenhe na campanha da Dilma."

Decisão

EDUARDO CAMPOS

PRESIDENTE DO PSB

"Foi quase uma escolha de Sofia. Ou levar à degola candidatos ao governo e ao Senado ou ter a candidatura própria"

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