PSB formaliza hoje saída de Ciro da corrida eleitoral

Em junho, partido deverá oficializar apoio à candidatura da petista Dilma Rousseff , preferida do presidente Lula para lhe suceder no Planalto

Eugênia Lopes e Denise Madueño, BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2010 | 00h00

A Executiva Nacional do PSB formaliza hoje a retirada da pré-candidatura de Ciro Gomes (CE) à Presidência. Com a saída do deputado da corrida presidencial, o PSB deverá oficializar, em junho, o apoio à candidatura da petista Dilma Rousseff à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A fim de ter argumentos para defenestrar Ciro Gomes da disputa, a cúpula do PSB fez levantamento nos 27 diretórios do partido sobre a candidatura presidencial do deputado. A tendência ontem era de que a maioria se posicionasse contra a candidatura de Ciro, optando pelo apoio a Dilma. Um balanço preliminar indicava que apenas "entre cinco e seis diretórios" eram favoráveis à manutenção de candidatura própria à Presidência, segundo um dos integrantes da cúpula do partido.

O clima no PSB é de irritação com Ciro. Na semana passada, ele criticou dirigentes do partido e afirmou que o candidato tucano à Presidência, José Serra, é mais preparado do que Dilma. Integrantes da cúpula socialista abriram fogo amigo contra Ciro e, nos bastidores, defenderam o afastamento do ministro Pedro Brito da Secretaria de Portos. Brito é homem de confiança do deputado.

Cautela. "Não vamos polemizar com o Ciro", afirmou ontem o líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP). Segundo ele, o presidente Lula não tem planos de afastar o protegido de Ciro Gomes do ministério.

"Essa é uma discussão interna no PSB e acho que o presidente Lula não vai concordar em fazer ajustes internos com cargos", observou o líder.

Em troca da retirada de Ciro da corrida presidencial, o PSB fez reivindicações nos Estados. Os socialistas querem a ajuda do PT na formação de alianças nos Estados em que consideram ter uma candidatura forte. É o caso de São Paulo, onde o candidato Paulo Skaf espera ter em sua coligação o PR e o PC do B. "É uma coisa meio esquisita discutir com um partido para apoiar outro candidato", argumentou Vaccarezza. No sábado, o PT lançou a candidatura do senador Aloizio Mercadante para o governo de São Paulo.

O apoio do PC do B também é cobiçado pelos socialistas em outros Estados, como Espírito Santo e Rio Grande do Sul. No Espírito Santo, o PSB pretende lançar a candidatura do senador Renato Casagrande ao governo. O PT vai, no entanto, apoiar o peemedebista Ricardo Ferraço. No Rio Grande do Sul, o deputado Beto Albuquerque quer disputar o governo contra o petista Tarso Genro. No Piauí e no Amapá, o PSB espera que o PT abra mão de lançar candidatos ao governo do Estado e apoie os socialistas.

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