PSB prepara terreno para ser grande

Com 3 governadores já eleitos e chance de emplacar mais 3 no segundo turno, partido sonha ganhar fôlego para conquistar o Planalto em 2014

Marcelo de Moraes, O Estado de S.Paulo

18 Outubro 2010 | 00h00

Enquanto PT e PSDB polarizam desde 1994 a disputa pelo controle da Presidência da República, outra força política vai construindo discretamente um projeto de poder que ampliou tremendamente sua capilaridade nesta eleição, o PSB.

Com três governadores eleitos no primeiro turno e com a possibilidade real de ganhar em mais três Estados no segundo, o PSB sonha com um crescimento capaz de lhe dar fôlego para tentar subir a rampa do Palácio do Planalto em 2014 como protagonista.

Na prática, as urnas premiaram uma intrincada costura de alianças regionais montadas pelo comando do PSB, presidido pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos.

Se tudo der certo no segundo turno, o PSB poderá garantir o comando ou a participação direta na administração de nada menos do que 18 Estados a partir do próximo ano. Dando tudo errado, essa participação continua expressiva, com 11 governos.

No primeiro turno, o PSB já elegeu governador em três Estados. Ganhou em Pernambuco com o próprio Campos, reeleito com a maior votação proporcional entre os governadores. Reelegeu Cid Gomes no Ceará e ainda ganhou no Espírito Santo com o senador Renato Casagrande.

No segundo turno, o PSB tem chances reais de vencer em mais três. Está na disputa no Piauí, com o atual governador Wilson Martins e pode emplacar Ricardo Coutinho no governo da Paraíba. De quebra, disputa também o segundo turno no Amapá com Camilo Capiberibe.

Além desses seis Estados, o PSB participou de alianças vitoriosas em mais oito no primeiro turno, além de concorrer como parceiro em outras quatro disputas do segundo turno.

Esse plano de expansão do PSB já obteve outras posições estratégicas. Na eleição para o Senado, o partido reelegeu Antônio Carlos Valadares em Sergipe e ganhou no Distrito Federal, com Rodrigo Rollemberg, e na Bahia, com Lídice da Matta.

Campeões. Na nova Câmara, o PSB também conseguiu eleger vários campeões de voto estaduais. Em São Paulo, Gabriel Chalita se elegeu deputado federal com mais de meio milhão de votos. No Rio Grande do Sul, Beto Albuquerque foi o segundo candidato mais votado. No Rio de Janeiro, o ex-atacante Romário estreou na vida política com a sexta maior votação para a Câmara.

Em Pernambuco, a deputada Ana Arraes, mãe de Eduardo Campos e filha de Miguel Arraes, foi reeleita com mais de 387 mil votos. Outros resultados expressivos foram o de Valadares Filho, que foi o mais votado em Sergipe, e o de Audifax Barcellos, deputado campeão de votos no Espírito Santo.

Além disso, os acordos políticos fechados pelo PSB desde as eleições municipais garantiram outros espaços importantes nessa movimentação para espalhar lideranças do partido pelo território nacional.

Numa aliança improvável, reunindo PT e PSDB, o PSB conseguiu ganhar a Prefeitura de Belo Horizonte, com Márcio Lacerda, dois anos atrás. Em outra articulação que envolveu parceria com tucanos, o partido herdou a Prefeitura de Curitiba. A capital paranaense passou a ser administrada por Luciano Ducci, vice de Beto Richa, que se elegeu governador.

Ciro. Se a estratégia caminha para ser bem-sucedida, sua montagem provocou pelo menos um grande problema político. Em troca de uma aliança favorável com o PT em vários Estados, a cúpula do PSB aceitou implodir a pré-candidatura presidencial de Ciro Gomes.

Insatisfeito, Ciro disparou críticas pesadas à direção de seu partido, mas preferiu mergulhar em seguida.

O episódio provocou várias dúvidas. A primeira é se ele vai permanecer numa legenda onde corre o risco de ter sua candidatura novamente retirada, se isso for de interesse do partido. Até porque, depois do surpreendente bom desempenho de Marina Silva, do PV, a candidatura de Ciro, bem mais conhecida, poderia até ter decolado.

Outra dúvida é se o PSB quer que Ciro permaneça na legenda na condição de pré-candidato presidencial do partido. Não é segredo para ninguém que o PSB aposta no aumento da popularidade de Campos para encabeçar seu projeto nacional em 2014.

Neto de Miguel Arraes, o governador pernambucano tem trajetória parecida com a de seu colega de geração, o ex-governador mineiro Aécio Neves.

No Nordeste, é visto hoje como a maior liderança política regional. Já foi ministro de Ciência e Tecnologia e tem grande afinidade com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Antes do acerto entre PT e PMDB, foi cotado para ser vice-presidente na chapa encabeçada por Dilma Rousseff.

Para 2014, dirigentes do partido já falam informalmente em lançar Campos como candidato à Presidência. Ou, no mínimo, ocupar a Vice-Presidência de alguma chapa forte, com quem tenham afinidades políticas, como seria o caso de Aécio.

Ministérios

O bom resultado eleitoral deverá garantir mais ministérios ao PSB, caso Dilma Rousseff vença. Comandando Ciência e Tecnologia e Portos, o PSB quer ganhar pelo menos mais uma pasta.

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