PSD já vota com autonomia

Ao pedir diligências para apurar supostas fraudes em assinaturas coletadas pelo PSD para sua constituição, a vice-procuradora-geral eleitoral, Sandra Cureau, pôs sob suspeita os próprios tribunais regionais eleitorais que deferiram o processo do novo partido e reconheceram a autenticidade da documentação apresentada para a formação dos diretórios regionais em nove Estados.

João Bosco Rabello, O Estado de S.Paulo

11 Setembro 2011 | 00h00

Ainda que não explícito, esse foi o provável entendimento da relatora do caso no Tribunal Superior Eleitoral, ministra Nancy Andrighi, que indeferiu o pedido do Ministério Público quase de forma imediata, às 22 horas da sexta-feira pós-feriado, com rapidez inédita. A relatora considerou vago e não fundamentado o pedido da vice-procuradora e determinou dez dias para que ela apresente seu parecer.

A decisão do Ministério Público surpreendeu os dirigentes do PSD, que a interpretaram, no mínimo, como gratuita e altamente danosa ao objetivo da legenda de participar das eleições municipais de 2012. No entanto, a presteza da relatora no TSE em indeferir o pedido do MP indica que um eventual parecer negativo da vice-procuradora Sandra Cureau será desconsiderado e o processo, enviado à Justiça Eleitoral.

Se assim for, o plenário do TSE poderá decidir sobre o registro do PSD em 22 de setembro, dois dias após o prazo para que o MP se manifeste a respeito em caráter definitivo. Essa data atende ainda ao cronograma do prefeito Gilberto Kassab para a formação das alianças regionais com vistas a 2012.

A expectativa otimista tem a torcida também do governo federal, que já conta com o PSD na defesa de matérias de seu interesse no Congresso Nacional.

"Não podemos distribuir o que não existe"

Edison Lobão,

MINISTRO DAS MINAS E ENERGIA, CONTRA O USO DO PRÉ-SAL PARA FINANCIAR A SAÚDE

Bancada informal

Os 49 deputados e dois senadores que aderiram ao PSD já atuam sob orientação de lideranças próprias nas duas casas do Legislativo apesar de ainda filiados formalmente às suas legendas de origem. Essa bancada informal está comprometida em votar com o governo em tudo o que definiram mutuamente como "de interesse do País", no recente encontro com a presidente Dilma Rousseff. Nesse momento, isso significa apoiar o governo principalmente no bloqueio a matérias que representem aumento de despesas sem cobertura orçamentária. Casos da Emenda 29, da saúde, e da PEC 300, que fixa piso nacional para policiais e bombeiros que, somadas, projetam gastos da ordem de R$ 65 bilhões.

Saia justa

É a emenda 29 que deixa o PSD numa saia justa, pois sua iminente aprovação projeta a volta da CPMF para a cobertura orçamentária estimada em R$ 30 bilhões. Foi o DEM, origem do PSD, que liderou o fim do imposto no governo Lula, sob a relatoria da senadora Kátia Abreu (TO).

Musculatura

A cúpula do PMDB reúne-se amanhã para formular a pauta do encontro nacional que o partido promove no dia 15, em Brasília, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães. A meta é reunir mais de 3 mil delegados e militantes num debate estratégico sobre 2012. O principal objetivo do encontro é reafirmar "o tamanho" da legenda - a de maior capilaridade nacional, com o maior número de prefeitos. O caráter de foro nacional dos municípios deve excluir temas polêmicos como regulamentação da mídia, ao contrário do que fez o PT, para traçar um mapa de alianças no próximo ano.

Imposto na rua

O governo teme que a campanha anticorrupção que ganhou as ruas agregue à pauta de protestos a bandeira contra impostos, que colocaria a CPMF na linha de tiro da população, especialmente da classe média.

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