PSDB ainda sonha com Aécio para formar chapa puro-sangue

Dornelles e irmã do tucano são planos B e C cogitados pelo partido para ligar Serra ao ex-governador de Minas

Christiane Samarco e Marcelo de Moraes, O Estado de S.Paulo

02 de maio de 2010 | 00h00

Na busca de um nome para ocupar a vaga de vice na chapa de José Serra, todos os caminhos do PSDB conduzem ao mesmo nome: o do ex-governador de Minas Aécio Neves.

O comando da campanha de Serra ainda não desistiu de convencer Aécio a aceitar o posto e as principais alternativas pensadas para seu lugar são, na prática, uma forma disfarçada de ter o político mineiro na chapa.

Assim, se Aécio é o plano A, como plano B foi pensado o senador Francisco Dornelles (PP-RJ), primo do ex-governador. E como plano C chegou a ser cogitado o nome de Andrea Neves da Cunha, irmã de Aécio.

A ideia do PSDB é esperar até junho para convencer o político mineiro a formalizar a dobradinha. Até lá, a tática da cúpula do partido é evitar qualquer discussão pública em torno do tema.

O silêncio e os planos alternativos são postos à mesa com dois objetivos: a curto prazo, uma nova opção de vice serve para aliviar a pressão sobre o ex-governador de Minas. Em um horizonte mais amplo, o que se pretende é guardar na manga uma solução com cara de Aécio.

Quatro opções. O DEM, principal parceiro do PSDB, diz que só abre mão da vaga na chapa presidencial em favor do mineiro. Se essa articulação falhar, o DEM quer o posto. Nesse caso, os quatro principais nomes são a senadora Kátia Abreu (TO), o senador José Agripino Maia (PI), e os deputados José Carlos Aleluia (BA) e Ronaldo Caiado (GO).

"O DEM apoia o nome de Aécio para vice. Fora isso, entendemos que, como principal aliado do PSDB e tendo direito ao mesmo tempo de propaganda eleitoral que os tucanos, a vaga deve ser preenchida por alguém do DEM", diz o deputado Rodrigo Maia (RJ), presidente da sigla.

Ao mesmo tempo em que faz a exigência, o DEM admite que a solução pode passar longe do partido, desde que haja um acerto prévio.

Esse "desprendimento" deve-se a duas constatações. O DEM não tem um nome nacional forte que agregue todas as correntes do partido e peso eleitoral à campanha. Nas conversas de bastidor, também admite que a imagem do partido está muito desgastada por conta do escândalo do chamado "mensalão do DEM" do Distrito Federal.

Não por acaso, dois postulantes do DEM à vaga de vice são nordestinos. Agripino e Aleluia acreditam que podem ajudar Serra a descontar a diferença que a candidata petista Dilma Rousseff poderá fazer na região por conta do prestígio local do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Mas o critério de escolha não precisa ser necessariamente regional", diz o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE). Ele lembra que o perfil da região é heterogêneo e afirma que não existe nenhum líder que unifique o eleitorado da Bahia até o Maranhão.

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