PSDB assume que há disputas internas

As divergências internas no PSDB foram reconhecidas nesta quarta-feira pelo presidente do partido, senador Tasso Jereissati (CE), que tentou encarar com naturalidade a disputa travada nos bastidores entre os setores ligados ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e ao governador de Minas Gerais, Aécio Neves. "Eles têm estilos diferentes de fazer política", disse. "É impossível que num partido como o PSDB, com tantas lideranças, se fale a mesma língua. Somos um partido aberto", prosseguiu, na tentativa de encerrar a polêmica entre seus partidários na reta final da campanha eleitoral.A tradução dessa declaração sinuosa de Jereissati é a existência de dois pólos opostos no partido. Em meio às repercussões da carta de Fernando Henrique, que provocou reação negativa de Aécio Neves que a qualificou de desagregadora, Tasso Jereissati preferiu buscar o entendimento para evitar mais crise na campanha de Geraldo Alckmin.O senador passou a terça-feira em São Paulo e, à noite, conversou com o candidato do PSDB ao governo estadual, José Serra, que estava aguardando a conversa. Preocupado também com sua própria situação, uma vez que corre o risco de perder a hegemonia política com a eventual derrota do PSDB no Ceará em outubro, Tasso Jereissati está jogando toda sua energia para levar a candidatura de Alckmin ao segundo turno, como forma de compensar o fracasso em seu Estado. Entre todos os Estados do Nordeste, é justamente no Ceará que Alckmin vem crescendo nas pesquisas, mas com muita desvantagem ainda em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.Os principais coordenadores da campanha de Alckmin admitem reservadamente que a disputa entre Aécio Neves e José Serra certamente vai ocorrer na escolha do candidato presidencial em 2010. Como também reconhecem que Fernando Henrique Cardoso teria divulgado sua carta de oito páginas não só para fazer uma auto-crítica como também para dar uma resposta a Lula que insiste em atacar seu governo e desgastar sua imagem junto à população. "O ex-presidente é muito orgulhoso e não aceitaria uma rejeição popular", desabafou um tucano.ArticulaçãoApesar das divergências internas, que ficaram nítidas na disputa entre Serra e Alckmin durante a escolha do candidato presidencial, os principais líderes do PSDB afirmam que ainda não há uma articulação montada. O próprio Tasso ironiza quando questionado se não se sente ameaçado de perder o comando do partido para Fernando Henrique ou um aliado do ex-presidente da República no próximo ano, reagiu: "Eu juro que não sei nem quando termina meu mandato", reagiu, procurando mostrar desinteresse no assunto."Não estou vendo briga nenhuma. Não tem guerra entre Fernando Henrique e Aécio Neves e nada parecido com rompimento", enfatizou. Para ele, o governador segue o estilo mineiro de fazer política e Fernando Henrique é "mais paulista". " Eu sou meio matuto", brincou.Mas os elogios de Tasso a Aécio Neves extrapolam as fronteiras da política mineira. "Ele é firme na hora de tomar decisão", disse o senador, negando também especulações de que o governador poderia deixar o PSDB no próximo ano. "Não tenho o menor indício disso", completou. Próximo ao governador, Tasso sempre o defende quando aliados cobram sua maior participação na campanha de Alckmin. Já, segundo os políticos, Fernando Henrique teria ficado fora da campanha justamente para não tirar mais votos por conta da sua rejeição no eleitorado.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.