PSDB confirma Aloysio para o Senado

José Aníbal, que disputava a vaga, desistiu do pleito, abrindo caminho para o PSDB demonstrar unidade no maior colégio eleitoral do País

Silvia Amorim, O Estado de S.Paulo

04 de maio de 2010 | 00h00

O deputado José Aníbal, um dos postulantes à vaga do PSDB de São Paulo ao Senado até ontem, desistiu do pleito e o partido confirmou oficialmente o nome do ex-secretário da Casa Civil Aloysio Nunes Ferreira como candidato a senador nesta eleição.

Embora seja uma decisão regional, a desistência de Aníbal e o esforço do PSDB em demonstrar a unidade do partido no maior colégio eleitoral do País têm reflexos diretos na campanha presidencial de José Serra.

Na avaliação de lideranças tucanas, a união fortalece a legenda, ajuda a colocar a campanha na rua e a mobilizar a militância. Uma disputa interna poderia, mesmo que para o Senado, dificultar a organização das campanhas no Estado no período pré-eleitoral até as convenções, no mês de junho.

"O gesto de desprendimento do Zé Aníbal foi importante", avaliou o pré-candidato ao governo paulista, Geraldo Alckmin. Demos um passo muito significativo para estarmos todos unidos para trabalhar por São Paulo e ajudar a candidatura do Serra."

A demonstração de unidade pelos tucanos vem também num momento em que o PT se desgasta em uma disputa interna em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do País.

Alckmin costurou pessoalmente a saída de Aníbal da disputa com Aloysio. A decisão do deputado foi acertada horas antes da reunião do Diretório Estadual do PSDB, realizada ontem à noite na capital paulista e que aprovou a chapa tucana para a eleição estadual - Alckmin para governador, a vaga de vice para o DEM, Aloysio e Orestes Quércia (PMDB) para o Senado.

Acordo selado. O ex-governador conversou algumas vezes com o deputado pelo telefone ao longo do dia, eles se encontraram no fim da tarde e chegaram juntos ao encontro partidário, sinalizando que um acordo havia sido selado.

O pré-candidato também convidou o deputado para ser o coordenador do seu programa de governo. Ele não aceitou nem declinou. "Eu vou pensar", disse Aníbal ao Estado sobre a proposta.

Quanto à sua decisão de abandonar a disputa e apoiar Aloysio, Aníbal disse que foi um gesto para não causar "estresse" num momento tão importante para o partido. "Notei que deixar em aberto a vaga de Senado num momento de desafios nacional e estadual estava gerando estresse e "tensionamentos"."

Disputa interna. A disputa entre Aníbal e Aloysio se arrastava há pelo menos um mês. Aloysio tinha o apoio de Serra e provavelmente derrotaria o colega de partido numa votação ontem no diretório. Até anteontem Aníbal resistia em abrir mão da disputa. Defendia sua postulação por ser o mais bem colocado nas pesquisas de intenção de voto.

Por diversas vezes, parlamentares tentaram demovê-lo do enfrentamento, mas ele se mostrava irredutível. Ele fez discursos duros, acusando o grupo a favor de Aloysio de cooptar pessoas ligadas a ele no partido.

Ontem, entretanto, o tom do discurso de Aníbal ao partido foi outro. Pregou a unidade e prometeu empenho para eleger Alckmin e Serra. Segundo tucanos, a percepção da derrota e o desgaste político que ela poderia trazer a Aníbal futuramente dentro do partido também pesaram. Aloysio foi escolhido por aclamação,

O lançamento oficial dos pré-candidatos tucanos à eleição paulista está marcado para a manhã do próximo sábado. Cerca de 3 mil convidados são esperados para o evento.

Renovação

54

senadores, incluindo dois de São Paulo, serão eleitos em outubro, enquanto 27 - do total de 81 parlamentares do Senado - ainda terão mais quatro anos de mandato

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