PSDB cria pacote de bondades para conquistar prefeitos

Reunião com lideranças tucanas e aliadas decidiu focar discursos para [br]garantir apoios regionais nos Estados

Julia Duailibi, O Estado de S.Paulo

19 Outubro 2010 | 00h00

Nas últimas duas semanas da eleição presidencial, os dirigentes do PSDB decidiram intensificar o tom municipalista da campanha, sinalizando com um pacote de benesses para as prefeituras. Em reunião da coordenação política realizada ontem, lideranças tucanas, do DEM e do PPS esquadrinharam discurso voltado para os prefeitos com o objetivo de angariar a simpatia desses puxadores de voto nos Estados.

O ex-governador de Minas Gerais e senador eleito, Aécio Neves, foi um dos que insistiram na tese das propostas voltadas para os prefeitos. O tucano lembrou das oscilações do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), que estariam estrangulando as finanças das prefeituras. Afirmou ser importante, nesta reta final, fazer uma campanha sinalizando um pacote de benesses para os prefeitos.

Uma das medidas colocadas em pauta durante o encontro, e que ainda depende da aceitação do presidenciável José Serra, será criar um piso para o FPM, evitando que os recursos do fundo variem. Na semana passada, em visita a Minas, Serra já havia falado sobre a situação do fundo de participação, ao destacar que ele perdeu cerca de R$ 3 bilhões no último ano.

"Temos que proteger os prefeitos das oscilações dramáticas do FPM que deixam centenas de municípios à míngua, sem cumprir seus compromissos", declarou o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE). A ideia é levar o quanto antes as propostas da campanha para o horário eleitoral gratuito na televisão.

Efeito. No ano passado, o FPM - formado por recursos do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) - foi de R$ 49,5 bilhões.

As desonerações tributárias promovidas pelo governo federal e a queda na arrecadação em razão da crise financeira internacional tiveram efeito direto no fundo.

A estipulação de um piso do FPM não é consensual dentro da própria campanha em razão do impacto fiscal que a medida poderia ter em anos de arrecadação ruim. Dentro das promessas tucanas com impacto fiscal considerável, estão o aumento do salário mínimo para R$ 600 e o reajuste de 10% no valor das aposentadorias.

Na reunião realizada ontem, também ficou definida a agenda de Aécio Neves para os próximos dias. O senador eleito deverá viajar para Estados do Brasil numa dobradinha com Sérgio Guerra com o objetivo de puxar votos para Serra.

O ex-governador mineiro participará amanhã de reunião com lideranças políticas na Zona da Mata Mineira. Na quinta-feira, começa as viagens pelo País, passando por Goiás e Pará. Na sexta-feira, deve visitar as capitais do Piauí e Alagoas.

Debate. Após o debate presidencial exibido pela RedeTV! anteontem, os tucanos foram jantar na casa de Andrea Matarazzo, secretário de Cultura. O prato principal era risoto.

O encontro se estendeu até às 5 horas da manhã. O comando da campanha oposicionista disse ter ficado surpreso com a insistência da adversária Dilma Rousseff (PT) em criticar a gestão de Serra, numa estratégia de tentar angariar votos no maior colégio eleitoral do País.

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