PSDB do Piauí acusa ministro de corrupção

Alexandre Padilha teria oferecido obras do PAC a prefeito de Teresina em troca de apoio a candidato à reeleição ao governo

LUCIANO COELHO, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

09 Outubro 2010 | 00h00

O PSDB do Piauí deve entrar com uma ação contra o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, por corrupção eleitoral. Ele teria trocado recursos públicos do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), no valor de R$ 108 milhões, por apoio político do prefeito de Teresina, Elmano Ferrer (PTB), em favor da candidatura de reeleição do governador Wilson Martins (PSB).

O dinheiro será destinado para obras de infraestrutura e drenagem na capital do Piauí. Padilha pediu licença do cargo de ministro para se engajar na campanha de Dilma Rousseff à Presidência da República.

A ação contra Padilha deverá ser apresentada junto à Procuradoria-Geral Eleitoral, em Brasília A assessoria jurídica da coligação A Força do Povo, encabeçada pelo PSDB, fez requerimento neste sentido ao Ministério Público Eleitoral. O candidato Sílvio Mendes (PSDB) obteve 30,08% dos votos no primeiro turno. O governador Wilson Martins, 46,37%.

A assessoria jurídica do candidato tucano atuou em duas frentes. Numa delas, ajuizou a representação contra o prefeito de Teresina por corrupção eleitoral passiva. Segundo a advogada Geórgia Nunes, foi pedida uma investigação criminal alegando que o prefeito declarou ter trocado o apoio político ao governo por recursos do PAC.

Em outra frente, o PSDB fez uma representação contra o ministro Padilha por corrupção ativa. A assessoria jurídica do candidato tucano alega, na representação criminal e no pedido ao Ministério Público, que seja apurada a denúncia de crime de corrupção eleitoral.

O argumento é de que o próprio prefeito declarou ter trocado o apoio político em troca de recursos do PAC. As provas devem ser encaminhadas à Procuradoria-Geral Eleitoral, fórum onde ministros de Estado devem ser investigados.

Uma outra ação de investigação judicial eleitoral está sendo ajuizada pela cúpula tucana contra o governador Martins e o prefeito Ferrer por abuso de poder econômico e de poder político.

"Eles confessaram que a máquina pública federal e os recursos públicos estão sendo utilizados para beneficiar a candidatura do governador Wilson Martins. Eles falaram num montante considerável, de R$ 108 milhões", prosseguiu Geórgia Nunes.

Não é a primeira vez que Alexandre Padilha é acusado no Estado. No início da campanha, a Executiva Regional do PT fez uma representação oficial à Executiva Nacional e à Comissão de Ética do PT contra o ministro Padilha por ele ter declarado apoio e gravado mensagem para o candidato a senador Ciro Nogueira (PP), quando o partido tinha dois candidatos ao Senado: Wellington Dias e Antônio José Medeiros. Nogueira e Dias acabaram eleitos senadores no domingo.

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