PSDB espera que lançamento de programa pacifique o partido

O comando da campanha do tucano Geraldo Alckmin quer transformar o lançamento do programa de governo do candidato, na próxima semana, em um ato de pacificação do partido, tentando pôr um ponto final nas últimas divergências internas. A idéia é reunir no evento as principais estrelas do PSDB, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, que andaram se estranhando recentemente.Em carta aos militantes do PSDB, Fernando Henrique disse que o partido "tapou o sol com a peneira" no episódio do senador Eduardo Azeredo (MG), acusado de envolvimento com o "valerioduto" na campanha de reeleição ao governo de Minas. Aborrecido, Aécio saiu em defesa de Azeredo, ao afirmar que esse tipo de atitude "mais desagrega que agrega"."Será uma boa oportunidade para construir a unidade entre eles", observou o coordenador geral da campanha, senador Sérgio Guerra (PSDB-PE). Apesar de minimizar as repercussões da carta de Fernando Henrique, afirmando que não há crise no partido, o senador Sérgio Guerra foi um dos que aconselhou Azeredo a manifestar sua contrariedade e responder ao ex-presidente na semana passada.Em vez de procurar pessoalmente Azeredo, Fernando Henrique pediu a ajuda do presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), que ficou encarregado de restabelecer a paz entre os dois. "Para mim este assunto está encerrado", disse Azeredo, ao classificar de "desagradável" todo o episódio.A carta de Fernando Henrique foi divulgada no site do PSDB sem que Tasso Jereissati tomasse conhecimento prévio. Apesar disso, ele interpretou como um "desabafo" do ex-presidente. No entanto, setores do partido já traduzem o gesto como um sinal da disputa interna pelo comando do PSDB que será travada no próximo ano.Ligado ao candidato do PSDB ao governo paulista, José Serra, o ex-presidente Fernando Henrique já estaria tentando reforçar a posição de seu grupo, o que significaria a perda de poder da ala liderada por Tasso e Aécio Neves. Se Geraldo Alckmin for para o segundo turno, o governador mineiro, vinculado a Tasso, sai fortalecido. Sérgio Guerra, no entanto, condena essas especulações, ressaltando que, no momento, todos devem trabalhar para levar a candidatura de Alckmin para o segundo turno.É com essa expectativa que os estrategistas da campanha de Alckmin estão avaliando as pesquisas internas que apontam crescimento do tucano em todos os Estados nesta reta final. Apenas no Nordeste é que a situação continua dramática. Mesmo crescendo em alguns Estados do Norte, o tucano não consegue tirar votos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre os nordestinos. "Os votos estão saindo de outros, mas não de Lula", constatou um dos aliados de Geraldo Alckmin. Os tucanos não escondem, contudo, a contrariedade com o PSDB da Bahia que está fazendo corpo mole na campanha. O leve crescimento de Alckmin entre os baianos se deve à atuação do PFL que está, sim, vinculando seu nome aos candidatos pefelistas ao contrário dos tucanos.Uma das maiores preocupações da campanha ainda é com o Rio de Janeiro, terceiro colégio eleitoral do País. Ali Alckmin continua estagnado. Nesta quarta-feira, o candidato volta à capital fluminense para visitar a favela da Rocinha e reforçar sua candidatura ao lado de políticos aliados. No dia seguinte, participará de uma carreata e um comício em Juiz de Fora, em Minas, ao lado de Aécio Neves e do ex-presidente Itamar Franco.

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