PSDB indica Álvaro Dias como vice de Serra e enfrenta resistência do DEM

Escolha do nome do senador tucano é considerado irreversível pelos dirigentes do partido apesar de o deputado Rodrigo Maia (RJ) ter reagido de maneira negativa ao saber da notícia; para ele, decisão tucana deve sair até a convenção democrata, no dia 30

Christiane Samarco e Ana Paula Scinocca, BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2010 | 00h00

O PSDB escolheu o senador tucano Álvaro Dias (PR) para vice na chapa do presidenciável José Serra, ainda sob impacto do resultado da pesquisa CNI/Ibope que mostrou a candidatura do partido em queda. Dirigentes do partido consideram a indicação "irreversível", apesar de o principal aliado, o DEM, recusar a chapa puro-sangue e insistir em ocupar o posto.

Entre uma novidade com apelo popular e uma solução política para evitar que um curto-circuito no Paraná ameace sua liderança na única região em que bate a petista Dilma Rousseff, Serra ficou com a opção pragmática de vice. Foi assim que a cúpula tucana trocou a presidente do Flamengo, Patrícia Amorim, por Dias. Patrícia é também vereadora no Rio de Janeiro pelo PSDB.

Os estrategistas da campanha avaliaram que Serra precisa manter, a qualquer custo, a liderança no Sul, sob pena de passar a imagem de candidato em declínio. O que seria uma opção converteu-se em necessidade de consolidar os votos na região Sul, evitando qualquer "marola" política no Paraná. "Essa movimentação isola o PT no Estado e pode dar ao partido a maior vitória proporcional de Serra em todo o Brasil", justificou o deputado Jutahy Júnior (PSDB-BA), um dos articuladores da escolha.

Dias na vice significa afastar de vez a possibilidade de o irmão dele, senador Osmar Dias (PDT), dar um palanque forte a Dilma no Estado, saindo candidato a governador em aliança com o PT. Também serve de argumento a Osmar junto à direção nacional do PDT. Como seu partido decidiu pelo apoio à candidatura de Dilma, só uma boa justificativa pode render a liberação para apoiar o tucano Beto Richa na corrida estadual.

Serra bateu o martelo na escolha de seu vice ontem de manhã, encarregando o presidente nacional do PSDB e coordenador da campanha, senador Sérgio Guerra (PE), e seu amigo Jutahy de dar a notícia a Dias e aos aliados. O senador já estava na capital paulista desde cedo. Fora avisado na véspera de que poderia ser chamado por Serra, a qualquer momento.

Guerra fez questão de ir ao Rio comunicar o presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), da opção por Dias. "O nome que temos é este", avisou. A conversa foi tensa e não houve acordo. "Se querem um acordo no Paraná, o PSDB que se sacrifique, abra mão da candidatura de Beto Richa ao governo e apoie Osmar Dias. Não podem pedir para o DEM abrir mão. Entreguem o braço deles, e não o meu", disse Rodrigo Maia.

Ele fincou o pé na decisão do DEM de indicar o vice e disse que os tucanos têm até o dia 30, data da convenção do partido aliado, para decidir. É na convenção que a coligação com o PSDB terá de ser aprovada para dar mais três minutos de TV a Serra, ao longo dos 45 dias de programa eleitoral gratuito.

Já as consultas ao PPS de Roberto Freire e ao PTB de Roberto Jefferson foram bem sucedidas. "Acho uma excelente escolha", afirmou Jefferson. Avisou também que, se Rodrigo Maia insistir no critério partidário para a escolha do vice, o PTB vai pleitear o posto. "Acho que temos melhores condições públicas de fazer a indicação porque o episódio do Arruda (o ex-governador do DF José Roberto Arruda) está muito recente", disse, sugerindo o nome do ex-deputado Benito Gama (BA). Jefferson entende que Dias pode resolver o problema no Paraná e influir em toda a região, consolidando os votos no Sul.

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