PSDB indica amanhã se apoia Aníbal ou Aloysio para Senado

Diretório Estadual tende a indicar ex-secretário de Serra como pré-candidato até decisão oficial, em junho

Silvia Amorim, O Estado de S.Paulo

02 de maio de 2010 | 00h00

Com uma disputa interna que se arrasta há um mês sem perspectiva de acordo, o PSDB de São Paulo prepara uma mobilização da sua direção para escolher amanhã o pré-candidato do partido ao Senado. O ex-secretário da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira, e o deputado José Aníbal concorrem à vaga. A tendência é que o primeiro saia vitorioso.

Com a candidatura ao governo definida com Geraldo Alckmin, o posto de vice acertado com o DEM e uma das duas vagas a senador reservada para Orestes Quércia (PMDB), o único imbróglio na chapa tucana é o segundo postulante ao Senado.

O partido tem pressa em resolver a questão. A largada oficial da pré-campanha no maior colégio eleitoral do País, já adiada uma vez, depende dessa definição. A grande festa do PSDB em São Paulo para anunciar os candidatos está marcada para o próximo sábado. Os tucanos querem lançar nesse dia a chapa completa à sucessão estadual.

Principal adversário do PSDB, o PT já concluiu essa primeira etapa eleitoral. Lançou no fim de semana passado o senador Aloizio Mercadante para governador e Marta Suplicy a senadora.

Até alguns dias atrás o PSDB acreditava que poderia chegar a um candidato de consenso. Na prática, trabalhava com a desistência de Aníbal, uma vez que Aloysio é apoiado pelo ex-governador José Serra e por Alckmin. Ele deverá ter a maioria dos votos do partido amanhã.

As últimas conversas de tucanos com Aníbal, entretanto, se mostraram infrutíferas. Mais: em um mês de disputa, os dois postulantes nunca se falaram.

O partido decidiu, então, convocar os 105 membros do Diretório Estadual, a instância máxima no Estado, para fazer a sua escolha numa reunião amanhã. A chapa terá de ser confirmada na convenção partidária, em junho.

"O diretório decidirá quem será o pré-candidato oficial do partido a ser encaminhado à convenção", explica o presidente do partido em São Paulo, Mendes Thame. Cotado para o Senado, Thame abriu mão da disputa na semana passada, pregando a união do partido em detrimento de "projetos pessoais". O gesto não sensibilizou os concorrentes. No início do ano, eram cinco interessados na vaga.

Aníbal endureceu o discurso. "Há envolvimento direto na máquina nessa questão. É uma coisa que me preocupa. Tem muita gente que estaria comigo, mas está sendo coagida", acusou.

"Não acredito que ele tenha dito isso, porque é um insulto ao partido. Espero que o diretório defina o nome do candidato, porque isso permitirá, no dia 8, participarmos todos da grande festa e colocar o bloco na rua, que já não é sem tempo", afirmou Aloysio.

Aníbal promete insistir com a pré-candidatura, caso seja derrotado. "Vou levar minha pré-candidatura adiante", diz. "Tenho o dobro das intenções de voto", argumenta, referindo-se a pesquisas de intenção de voto.

Para seguir em frente, qualquer interessado em disputar a vaga de senador após a decisão do diretório terá de buscar o apoio de, no mínimo, 20% dos delegados do partido - são cerca de 4.200 - para se inscrever na convenção. "O partido está seguindo o que manda o estatuto. Nada impede que outros sejam inscritos. Não vamos atropelar ninguém", garante Thame.

Embora uma decisão oficial do diretório só saia amanhã, a equipe de campanha de Aloysio já está instalada no edifício onde funcionará o comitê paulista dos candidatos a presidente, governador e senador do PSDB.

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