PSDB mineiro volta a cogitar união entre Serra e Aécio

Aposta do partido na formação de chapa puro-sangue é retomada após retorno de ex-governador ao cenário político

Julia Duailibi e Malu Delgado, O Estado de S.Paulo

16 de maio de 2010 | 00h00

A volta de Aécio Neves ao cenário político, após férias de quase 30 dias no exterior, reacende no PSDB a perspectiva de formar uma chapa puro-sangue em torno da candidatura presidencial de José Serra. Embora os tucanos operem a aliança com o PP, de Francisco Dornelles (RJ), a ação em prol da união com o mineiro voltou a dominar a agenda.

Serra e Aécio mergulharão em uma agenda comum no final deste mês e início de junho em Minas, segundo maior colégio eleitoral brasileiro. Antes de deixar o País de férias, Aécio conduziu pessoalmente pacto com PSDB, DEM e PPS. Os três partidos comprometeram-se a não mencionar o nome dele para o cargo de vice-presidente até o dia 22, data de seu retorno.

Aécio chegou a pedir a interlocutores que segurassem agendas de Serra no Estado enquanto estivesse fora. Está prevista a ida dos dois a encontros sobre agronegócio no dia 31, em Uberaba. Organizado pela Confederação Nacional da Agricultura e pela Associação Brasileira dos Criadores de Zebu, o evento terá como objetivo colar os tucanos na agenda dos produtores rurais.

Na semana seguinte, os dois cumprirão maratona em Montes Claros, quando discutirão políticas para o semiárido mineiro, uma das regiões mais carentes do País. A expectativa no PSDB é de que, nestes encontros, voltem a falar sobre a chapa.

Para os tucanos mineiros, a discussão sobre a vice passa pelo poder de "sedução" de Serra, ou seja, uma sinalização efetiva de que, se eleito, usará o seu capital político para promover reforma que acabe com a reeleição e estabeleça o mandato de cinco anos.

Serra já disse publicamente ser contra a reeleição. Segundo interlocutores de Aécio, o ex-governador pode se balançar com a tese se Serra estiver bem nas pesquisas de intenção de voto e se houver o compromisso do paulista de fazê-lo seu sucessor.

"Serra tem que convencer Aécio, insistir na questão dos cinco anos e dar garantias. Um convite bem conduzido pode ter êxito", disse um aliado do mineiro.

Aécio tem dito reiteradas vezes que pretende disputar o Senado. A declaração leva em consideração duas variáveis: a primeira, de que tem luz política própria e que uma vaga no Palácio do Jaburu seria pior que uma atuação no Senado. A outra de que, caso Dilma Rousseff vença a eleição, ele, no Senado, se tornaria a grande referência da oposição e o nome natural em 2014.

Segunda via. Enquanto a decisão sobre Aécio na vice é tocada discretamente, o PSDB joga paralelamente numa chapa com Dornelles. Além do minuto e meio na TV que a aliança com o PP adicionaria, o PSDB avalia que a entrada do senador na campanha deixará Aécio comprometido com Serra - Dornelles é tio dele. Os tucanos mineiros, no entanto, ainda não veem com entusiasmo a indicação do senador, o que enfatizaria a tese de que Aécio não descarta a puro-sangue.

O temor dos tucanos e aliados é de que a discussão sobre a vice explicite rixas e traga problemas a Serra. "O vice tem que ser alguém que possa ajudar a vitória. Os partidos não devem entrar em atrito sobre isso. Se depender da nossa torcida e desejo, o vice será Aécio", disse o deputado ACM Neto (DEM-BA).

Caso a puro-sangue e a aliança com o PP não vinguem, os tucanos citam os nomes do presidente da sigla, Sérgio Guerra (PE), da senadora Marisa Serrano (MS) e do ex-prefeito Beto Richa (PR). No DEM, os cotados são os senadores Katia Abreu (TO) e Demóstenes Torres (GO), e os deputados José Carlos Aleluia (BA) e Ronaldo Caiado (GO).

"Esse assunto está bem encaminhado, sem precipitação. Aécio não disse de forma sumária que não aceita. Não estamos mais tão ansiosos", disse o presidente do PPS, Roberto Freire.

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