PSDB mostra desespero ao subir tom na campanha, diz cientista político

Para o cientista político Marco Antonio Carvalho Teixeira, professor da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP), a mudança de tom do PSDB na campanha eleitoral, deixando de lado a postura branca, para atacar ao PT no campo da ética e da corrupção, materializada na quinta-feira pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, quando propôs ao partido "botar fogo no palheiro" e que foi acompanhada pelo candidato Geraldo Alckmin, demonstra "desespero". "O ex-presidente Fernando Henrique foi extremamente agressivo e não é possível dizer se isso trará algum benefício para a candidatura Alckmin", disse Teixeira à Agência Estado. "É o desespero, pois quando soltou a frase, FHC já sabia dos resultados da pesquisa CNT/Sensus, mais tarde corroborados pelo Datafolha", complementou o especialista, ao citar os números que indicam a consolidação da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva já no primeiro turno da eleição.Na visão do cientista político, o ex-presidente prestou um "desserviço eleitoral ao País", acrescentando que o PSDB parece ter sucumbido à proposta do PFL, aliado tucano, de que Alckmin só crescerá na preferência do eleitorado quando passar a atacar as deficiências de Lula e sua administração."O senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e o prefeito do Rio, César Maia (PFL) defendiam há algum tempo a linha de ataques e agora parece haver uma pefelização das teses da campanha", observou.Teixeira desconfia dos resultados que a postura conflituosa poderá trazer à campanha tucana. Isso porque, alertou, a tentativa de trazer o tema da ética e da corrupção de volta à campanha provoca uma "sensação coletiva", a ser identificada no eleitorado, de "chover no molhado"."Se o presidente Lula esteve imune aos ataques até agora, inclusive no momento de artilharia mais pesada, quando se falou em impeachment, o que levaria o eleitor a mudar de idéia agora, a um mês do voto?", indagou."A campanha eleitoral está pautada pela discussão de nomes e não de propostas. Ora, se é para discutir nome, o eleitorado tende a preferir aquele que melhor lhe agrada e as pesquisas confirmam ser Lula", justificou, acrescentando que é "assustadora a incapacidade da oposição em ser propositiva até o momento".Para ele, caminho mais promissor para o futuro do PSDB nas urnas seria o de apresentar um programa de governo alternativo ao PT. "Primeiro, devemos deixar bem claro que é obrigação dos oposicionistas apresentarem um programa alternativo, já que o governo pode perfeitamente manter o discurso do mais do mesmo e manter a linha administrativa adotada nos últimos quatro anos", ponderou. "Depois, porque, de fato, FHC é um ator sem influência nessa eleição. Alckmin deveria se mostrar como um projeto diferente de Lula e FHC, com propostas próprias, inovadoras e sem comparação com os antecessores", opinou.

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