Dida Sampaio/AE
Dida Sampaio/AE

PSDB pede reabertura do inquérito dos ''aloprados''

Oposição cobra apuração de suposta participação de Mercadante como um dos mentores da compra de dossiê contra tucanos

Eduardo Bresciani, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2011 | 00h00

Deputados do PSDB protocolaram ontem pedidos de reabertura do inquérito sobre a tentativa de compra por petistas de um dossiê contra o tucano José Serra, candidato ao governo do Estado em 2006, caso que ficou conhecido como "escândalo dos aloprados". Os pedidos foram feitos à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República.

A oposição quer mais investigação sobre o episódio devido a uma reportagem da revista Veja ter apontado o ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, então candidato ao governo do Estado, como um dos mentores da compra.

Segundo a entrevista de um dos envolvidos no esquema, Expedito Veloso, Mercadante era um dos responsáveis por arrecadar o dinheiro que seria utilizado na compra das informações.

Na campanha eleitoral de 2006, a PF apreendeu R$ 1,7 milhão com militantes petistas. O dinheiro seria para a compra de informações que poderiam envolver Serra com "a máfia dos sanguessugas", esquema pelo qual se desviavam recursos destinados à aquisição de ambulâncias. O empresário Luiz Vedoin, mentor do esquema, negou, posteriormente, o envolvimento de Serra. O inquérito da Polícia Federal que apurou a tentativa de compra das informações foi arquivado por falta de provas. Não se descobriu, por exemplo, a origem do dinheiro.

Ainda segundo a revista, parte dos recursos teria sido levantada pelo governador Orestes Quércia (PMDB), morto em dezembro do ano passado

No ofício encaminhado à direção-geral da PF, o líder tucano na Câmara, Duarte Nogueira (SP), destacou o envolvimento de pessoas ligadas ao ministro e pediu uma investigação. "Para nós, a questão é de relevante interesse nacional, especialmente por sua implicação no processo eleitoral e nas relevantes funções públicas que Aloizio Mercadante exercia à época como senador da República."

Na representação à Procuradoria, os deputados tucanos tentam envolver nas denúncias também o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. Eles destacam que o tesoureiro era suplente de Mercadante no Senado e presidia a Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop). Os tucanos relatam que Vaccari teve contato com os envolvidos nos dias que antecederam a prisão dos petistas com o dinheiro.

Eles ressaltam também as declarações de Veloso sobre a participação de Mercadante no esquema e pedem que o ministro seja indiciado. Além de Nogueira, os deputados Vanderlei Macris (PSDB-SP) e Carlos Sampaio (PSDB-SP) assinaram a peça entregue à PGR ontem.

Outro lado. Mercadante nega envolvimento no caso. O ministro destaca que o caso foi investigado pela Polícia Federal e arquivado. Ele também lembra ter sido inocentado tanto pelo Ministério Público como pelo Supremo.

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