PSDB pode descolar Gabeira de César Maia no Rio

Aliança ''heterodoxa'' prevê que deputado do PV e ex-prefeito do DEM vão pedir votos de forma independente

Luciana Nunes Leal, O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2010 | 00h00

Para manter a aliança de quatro partidos de oposição no Rio de Janeiro, o PSDB propôs um modelo inusitado de campanha eleitoral, em que o ex-prefeito Cesar Maia (DEM), que disputará uma vaga no Senado, pedirá votos de forma totalmente independente do candidato ao governo, deputado Fernando Gabeira (PV). No plano nacional, Maia apoiará o tucano José Serra e Gabeira, a senadora Marina Silva.

Com isso, os tucanos esperam resolver o impasse provocado pelos verdes, que rejeitam a presença de Maia na chapa, alegando que o ex-prefeito tira votos de Gabeira, especialmente entre os eleitores de classe média. Sem o DEM, o PSDB não manterá a coligação com o PV e o PPS. Cesar Maia já aceitou o formato proposto. Gabeira diz que só vai se manifestar depois do lançamento da candidatura de Serra à Presidência, amanhã, em Brasília.

Omissão. Se vingar a "solução tucana", Maia não deve sequer citar o nome de Gabeira em seu material de campanha, apenas o de Serra e dos partidos que integram a coligação. O candidato a governador também omitiria qualquer referência à candidatura de Maia para o Senado.

Após o lançamento da candidatura de Serra, o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), vai ao Rio para conversar com representantes do DEM e do PV e levar a proposta de campanhas individuais de Gabeira e Maia, apesar da chapa única. "É uma boa solução. Minha campanha de senador prescinde da aliança. Não sei se me dá mais voto estar ou não na coligação. Mas me submeto ao nosso interesse prioritário, nacional, que é José Serra. A coligação é prioritária para (candidatos a)deputados e para Serra", diz Maia.

Assim como Gabeira afirma que perde votos se fizer campanha ao lado do ex-prefeito, Cesar Maia diz que o mesmo acontece com sua candidatura, pois parte de seu eleitores não aprova a aliança com o deputado do PV.

Apesar do modelo heterodoxo de campanha, os partidos têm motivos para manter a aliança. Ao PV interessa o tempo do PSDB e do DEM no horário eleitoral gratuito de rádio e TV. Tucanos e democratas, por sua vez, não tinham nome forte para enfrentar o governador Sérgio Cabral (PMDB), que disputará a reeleição.

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