PSDB pressiona por mais temas no horário de Serra

Após crise por queda nas pesquisas, tucanos avaliam que o presidenciável precisa ir além das propostas para a saúde

Ana Paula Scinocca BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2010 | 00h00

Depois dos aliados, agora é a vez de o próprio PSDB defender mudanças na campanha de José Serra à Presidência da República. Em queda nas pesquisas de intenção de votos, o partido espera que o tucano apresente um discurso mais amplo na corrida ao Palácio do Planalto.

Dirigentes da legenda avaliam que Serra tem sido monotemático na TV ao apresentar basicamente propostas para a área da saúde. "A ampliação do discurso vai ocorrer, mas de modo natural", disse o senador Sergio Guerra (PE), presidente nacional do PSDB e também coordenador da campanha. "Os ajustes serão feitos com calma e tempo."

O diagnóstico foi feito no domingo à noite, em reunião em São Paulo, e seria levado ontem ao marqueteiro da campanha, o jornalista Luiz Gonzalez. A reunião entre Gonzalez e o presidente do PSDB, no entanto, foi adiada para amanhã.

"Tudo bem que a área da saúde é prioritária e que o Serra foi um ótimo ministro da Saúde. Mas é preciso ir além", defendeu um importante integrante do partido.

Na reunião com o núcleo duro da campanha, no domingo, tucanos avaliaram ainda ter sido um erro o PSDB ter colocado no programa de TV de Serra a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Contradição. "O sentimento partidário é que isso (a imagem do Lula) representou uma contradição", disse outro tucano que participou do encontro de domingo no Hotel Hyatt, na capital paulista.

Guerra pretendia ter conversado com Gonzalez sobre os rumos da campanha no final de semana. "Não conseguimos falar no domingo porque o Gonzalez estava gravando com o Serra e hoje (ontem) eu me enrolei com outros compromissos. Na quarta, vamos sentar e conversar, mas não há crise nem problema. São apenas avaliações de pesquisas", disse.

O presidente do PSDB adiou a conversa com Gonzalez ontem porque embarcaria, no início da noite, para o Rio Grande do Sul com os aliados Jorge Bornhausen (DEM) e o presidente nacional do DEM, Rodrigo Maia (RJ).

Serra liderava a corrida à Presidência com folga no Sul, que concentra 15% do eleitorado do País. A última pesquisa Datafolha, no entanto, mostra que a disputa entre Serra e a candidata do PT, Dilma Rousseff, já está voto a voto na região. O tucano tem 40% e a petista 38% -como a margem de erro é de 2 pontos porcentuais, ambos estão tecnicamente empatados.

O sinal vermelho na campanha de Serra foi aceso no final de semana exatamente por conta da divulgação da pesquisa Datafolha. O levantamento mostrou ampliação da vantagem de Dilma Rousseff. A presidenciável do PT aparece 17 pontos porcentuais à frente de Serra. Ainda segundo a pesquisa, Dilma venceria Serra no primeiro turno.

Arrecadação. Além do discurso monotemático e das queixas em relação ao programa de TV, o PSDB também reclama da pouca distribuição de recursos.

Segundo lideranças tucanas, o dinheiro, que havia entrado em caixa, não estaria sendo liberado pelo diretório nacional nem pela tesouraria da campanha para arcar com as despesas.

Anteontem, coordenadores da campanha presidencial afirmaram que a arrecadação está dentro do previsto. De acordo com eles, o montante de R$ 3,6 milhões, divulgado como total das doações até o início deste mês, não incluía os valores arrecadados pelo diretório nacional que ainda seriam repassados nos próximos dias.

Na reunião de anteontem, também ficou acertado que o partido vai liberar verba para a campanha de rua e gastos com cartazes e adesivos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.