PSDB quer que Mercadante se explique sobre 'caso dos aloprados'

Partido pretende ouvir ministro em comissão da Câmara; PT nega que ele tenha idealizado plano contra Serra

Gustavo Santos Ferreira, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2011 | 00h00

O líder do PSDB na Câmara, Duarte Nogueira, deve pedir hoje a convocação do ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, a uma das comissões da Casa. A ideia é retomar as investigações sobre o "dossiê dos aloprados", elaborado em 2006 contra o tucano José Serra.

Reportagem da revista Veja do final de semana aponta Mercadante como um dos mentores do plano. À época, o ex-governador de São Paulo disputava com ele o cargo que ocupou até 2010. O material denegriria a imagem do adversário, a frente nas pesquisas desde o início da disputa - vencida no primeiro turno.

A origem de R$ 1,75 milhão, encontrado em setembro daquele ano num hotel de São Paulo, segue desconhecida. A quantia seria utilizada para comprar o dossiê. "As informações trazidas agora são suficientes para que a apuração prossiga", disse o líder tucano. Segundo ele, "se havia falta de provas, não há mais".

O ministro seria citado numa gravação em poder da revista. Nela, o atual secretário adjunto de Desenvolvimento Econômico do Distrito Federal, Expedito Veloso, afirmaria a colegas do PT que o plano do dossiê foi feito com "o conhecimento e a autorização" de Mercadante, "encarregado de arrecadar parte do dinheiro em São Paulo".

O PSDB também ingressará com uma representação no Ministério Público Federal e um ofício à Polícia Federal, pedindo a reabertura do caso. Veloso será convidado a prestar esclarecimentos na Câmara.

Resposta. O diretório do PT de São Paulo rechaça a acusação. Em nota à imprensa, o partido argumenta que o então Procurador-geral da República Antônio Fernando de Souza afirmou não haver indícios da participação de Mercadante no episódio. E lembra também que o Supremo Tribunal Federal votou pela nulidade e pelo arquivamento do inquérito.

Nesse ponto, a culpa também recairia sobre o ex-governador Orestes Quércia, morto no fim de 2010. Igualmente candidato, ele teria custeado o dossiê com o diretório paulista do PT. "É lamentável que essas requentadas ilações político-eleitorais somente apareçam (...) quando o ex-governador Quércia faleceu e não tem como se manifestar", acrescenta o comunicado.

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