PSDB reclama de uso eleitoral de TV pública pelo PT

Advogado de José Serra pede ao Ministério Público que investigue trabalho de cinegrafistas do canal NBR

Mariângela Gallucci BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2010 | 00h00

O advogado José Eduardo Alckmin, que defende o presidenciável tucano José Serra, vai pedir ao Ministério Público que investigue a notícia de que funcionários e equipamentos da TV oficial do governo, a NBR, teriam sido usados para filmar comícios da petista Dilma Rousseff nos quais o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve presente.

Reportagem publicada ontem pelo jornal Folha de S.Paulo informou que a direção da empresa orientou os funcionários a omitirem os sinais de identificação da emissora antes das filmagens. De acordo com a reportagem, cartazes na NBR orientavam os funcionários de que as filmagens seriam para registro histórico.

Para Alckmin, o fato é grave e é necessário investigar se a máquina administrativa foi usada em prol da candidatura de Dilma. "Vamos levar o assunto ao Ministério Público para que faça investigação necessária e tome as providências cabíveis. A história é muito grave", disse o advogado.

A legislação eleitoral estabelece que o uso da máquina administrativa na campanha é uma conduta vedada aos agentes públicos e pode levar à cassação do registro do beneficiado se a investigação constatar o desvio.

O advogado Márcio Silva, que defende a candidata Dilma Rousseff, afirmou que uma agência contratada pela campanha faz as filmagens. "A campanha já tem a sua equipe de filmagem", disse. "A qualidade de imagem da empresa contratada pela campanha é muito melhor do que a feita pela NBR", completou.

Numa nota divulgada ontem, a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) afirmou que uma de suas atribuições é documentar a atuação pública do presidente, seja para transmissão, seja para o acervo histórico da Presidência da República.

"Com a proximidade da campanha eleitoral, a Diretoria de Serviços da EBC, que tem a Secom entre seus clientes, foi orientada a continuar documentando todos os atos públicos do presidente da República, mas evitando transmitir os atos de natureza eleitoral pelo canal NBR ou distribuir as gravações às outras emissoras, como acontece com as imagens de atos oficiais", sustenta a empresa.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.